InícioRevistaTecnologiaA crise da RAM e dos combustíveis é uma repetição do passado

A crise da RAM e dos combustíveis é uma repetição do passado

Se andas atento ao mercado, sabes perfeitamente que montar um computador ou comprar uma consola nova hoje em dia é um autêntico pesadelo, que apenas tende a piorar. Os preços estão absurdos, as marcas queixam-se da escassez de componentes e nós, os utilizadores, somos quem paga a fatura. Mas não nos vamos fazer de anjinhos! A história tem uma tendência incrível para se repetir.

Ou seja, o que estamos a viver em 2026 com o preço da memória RAM a disparar por causa dos servidores de Inteligência Artificial e o petróleo caro devido às tensões com o Irão não é uma novidade. No final dos anos 80, o mundo bateu exatamente de frente com a mesma parede.

Naquela altura, a desculpa eram as sanções americanas e a produção em massa no Japão. Hoje, a cantiga mudou de nome, mas a rasteira na carteira do consumidor continua a ser a mesma.

memória

Portanto, para teres uma noção daquilo que a história nos ensina, a crise de 1988 foi tão agressiva que obrigou a gigante Nintendo a adiar o lançamento americano do mítico Zelda II: The Adventure of Linkporque simplesmente não havia chips de memória para fabricar os cartuchos.

Ou seja, o mercado tinha entrado numa loucura de superprodução japonesa que fez os preços colapsar, levando os fabricantes a cortar na produção. Entretanto, quando a procura voltou a disparar e os Estados Unidos enfiaram sanções ao Japão, o preço de um megabyte (sim, um megabyte!) de RAM saltou de 199$ para uns absurdos 505$ em poucas semanas.

O resultado foi óbvio. Quem podia, evitou comprar. Quem não podia, lixou-se. É exatamente o mesmo vento de frente que marcas como a Valve andam a sofrer agora para conseguir meter a nova Steam Machine nas prateleiras sem estoirar completamente com o orçamento. Aliás, este novo brinquedo da Valve podia ser umas boas centenas de euros mais barato se o mercado da memória não estivesse completamente viciado pela ganância dos centros de dados de IA.

IMAGEM

Dito tudo isto, a grande pergunta que corre nos fóruns e no Reddit é se os preços da RAM vão alguma vez voltar a valores normais. A resposta curta e grossa da maioria dos utilizadores é simples: os preços só vão parar de subir quando o Zé Povinho simplesmente bater com o pé e deixar de comprar.

Pode parecer complicado, especialmente após várias crises em que o consumo continuou alto. Mas, desta vez pode ser diferente. Os consumidores não podem pagar tudo e mais alguma coisa ao mesmo tempo. Está tudo mais caro. Rendas, empréstimos, comida, combustível, tecnologia. Alguma coisa tem de quebrar, e vai ser a tecnologia.

Portanto, o verdadeiro ensinamento que podemos tirar da crise do petróleo e da RAM dos anos 80 é que o mercado vive em ciclos de pânico e correção. Quando a corda aperta demasiado do lado do combustível nos anos 70, a indústria automóvel foi obrigada a inovar e a criar motores muito mais eficientes, o que acabou por gerar um excesso de petróleo na década seguinte. No mundo da tecnologia vai acontecer exatamente o mesmo. As marcas vão continuar a esticar o preço enquanto nós deixarmos.

Tu por aí, vais continuar a pagar o balúrdio que pedem por memórias e consolas novas? Ou achas que já chegou a altura de fecharmos todos a carteira para obrigar as marcas a descerem do pedestal?

 

Fonte: Zero Zero

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