Eu acredito que existe espaço para imagens geradas por IA. Para exemplificar algumas coisas, para tentar resumir alguns pontos, ou até em festinhas pequenas onde não há orçamento para pedir a alguém para fazer algo mais a sério. Mas… em tudo e mais alguma coisa? Epá, não.
Isto é uma conversa que já tive com amigos, familiares e até no trabalho. A IA é útil, ajuda em muita coisa, mas não tem de ser a solução para tudo. Até nos sites, porque há direitos de imagem em todo o lado, a coisa pode dar algum jeito. (Sendo exatamente por isso que a imagem de destaque deste artigo é gerada por IA. Serve como exemplo.)
Mas, nos dias que correm, abro o Facebook, o TikTok, o Instagram, ou vejo cartazes na rua, e é IA por todo o lado. Aliás, já estamos a bater no fundo de ver partidos políticos a usar IA à vontade. É feio e é pouco profissional.

O problema destas ferramentas, do Midjourney ao DALL-E ou ao Ideogram, não é a tecnologia em si, mas a forma preguiçosa como passou a ser usada por marcas, meios de comunicação e “criadores de conteúdo”.
Ou seja, em vez de servir como um complemento para ideias complexas, tornou-se a solução padrão para ilustrar absolutamente tudo, desde um artigo sobre poupança de combustível até a um post sobre o tempo no fim de semana.
O resultado? Uma internet onde tudo parece igual, genérico e falso. Perdeu-se o detalhe e o contexto real. E isso acaba por resultar num problema grave.
No fim do dia, a boa notícia é que o público não é cego.
Ou seja, da mesma forma que aprendemos a ignorar os banners de publicidade ao longo dos anos (sendo exatamente por isso que é importante ter um bom design para chamar a atenção), o cérebro humano já está a treinar-se para identificar e rejeitar automaticamente a estética da IA. A reação imediata de quem vê uma destas imagens hoje em dia já não é de espanto, mas sim de revirar os olhos.
Por isso, se as marcas e as páginas não acordarem a tempo para perceber que isto retira qualquer réstia de credibilidade ao que publicam, vão continuar a investir em “conteúdo” que o público simplesmente ignora por ser… foleiro.
Fonte: Zero Zero




