As autoridades moçambicanas estão a intensificar a sensibilização das comunidades para abandonarem zonas propensas a desastres naturais, a pouco mais de um mês do início da nova época chuvosa, tarefa dificultada pela resistência das populações.
“Estamos a fazer a sensibilização, estamos a trabalhar com as pessoas, estamos a trabalhar com as comunidades, com as lideranças locais para que as pessoas saiam das zonas de risco“, disse o diretor da Divisão de Coordenação e Reconstrução Pós-Desastres do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Leovigildo Marcos.
O responsável falava, em Maputo, à margem do Fórum Nacional sobre Habitação, Terra e Segurança de Posse e Soluções Duráveis para o Deslocamento Interno, organizado pelo INGD, em coordenação com a Organização das Nações Unidas para a Habitação (ONU-Habitat), sob o lema “Terra Segura, Habitação Digna, Futuro Sustentável”.
Leovigildo Marcos reconheceu as dificuldades de convencer as populações a abandonarem habitações construídas em zonas sujeitas a inundações, considerando tratar-se de um trabalho permanente de sensibilização realizado em conjunto com as comunidades e lideranças locais.
“A mentalidade das pessoas é complicada”, afirmou, reconhecendo a resistência encontrada no terreno à retirada de famílias de áreas consideradas de risco.
O responsável recordou que Moçambique conta atualmente com cerca de 663 mil deslocados internos devido a desastres naturais e conflitos armados, vivendo em centros de acolhimento, defendendo soluções concretas para garantir a segurança destas populações.
“Devemos todos explorar a nossa capacidade máxima de identificar e pôr em prática ações concretas para o bem-estar das pessoas deslocadas internamente. O financiamento dessas ações deve estar no centro dos nossos planos e programas de trabalho em todos os setores que intervêm no apoio às comunidades deslocadas”, acrescentou.
Já a coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique, Catherine Sozi, defendeu um trabalho coordenado para responder às necessidades dos deslocados internos e criar condições para um regresso seguro às zonas de origem.
“Sabemos que há desafios relacionados com a posse da terra. Sabemos igualmente que, não sendo a posse da terra algo que lhes é formalmente atribuído, até mesmo ter um abrigo ou uma casa que não volte a ser destruída da próxima vez constitui um desafio. Portanto, procuremos soluções juntos para ajudar as pessoas”, afirmou.
Para a representante da ONU, este fórum de dois dias constitui uma oportunidade para transformar políticas em ação, aprender com as experiências das diferentes províncias e comunidades e identificar soluções práticas suscetíveis de serem ampliadas.
“A ONU permanece firmemente comprometida em apoiar o Governo de Moçambique na transformação da agenda das soluções duradouras em resultados concretos para todos os que vivem neste belo país. Contem com as Nações Unidas nesta caminhada”, acrescentou.
Segundo o mais recente relatório regional do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Moçambique contabilizava, até 30 de junho, cerca de 662 mil deslocados internos, dos quais 438 mil devido a conflitos e violência e 224 mil em resultado de desastres naturais.
O país é o quinto da África Oriental e Austral com mais deslocados internos, atrás do Sudão, com 8,7 milhões, da Somália (3,3 milhões), do Sudão do Sul (dois milhões) e da Etiópia (1,9 milhões).
Fonte: Observador







