Por: Gentil Abel
O activista de direitos humanos Adriano Nuvunga pede ao Presidente da República, Daniel Chapo, que reconsidere a nomeação de Waldemar de Sousa para Governador do Banco de Moçambique, alegando que o nomeado está associado a um processo relacionado com as Dívidas Ocultas.
Num documento intitulado “Carta Pública ao Presidente da República”, datado de 1 de Setembro de 2026, Nuvunga manifesta “profunda indignação” com a escolha de Waldemar de Sousa e exige esclarecimentos sobre as circunstâncias que envolveram a nomeação. Segundo a carta, o nomeado foi acusado de alegadas infracções financeiras relacionadas com o caso das Dívidas Ocultas, existindo, de acordo com o documento, um processo ainda em tramitação no Tribunal Administrativo.
O activista questiona, por isso, como uma pessoa que enfrenta alegações relacionadas com o exercício de funções no Banco de Moçambique pode ser escolhida para dirigir a mesma instituição antes de haver um esclarecimento definitivo sobre a sua eventual responsabilidade.
Apesar de reconhecer o princípio da presunção de inocência, Nuvunga defende que a ocupação de um cargo de elevada responsabilidade pública exige critérios rigorosos de integridade, idoneidade e confiança. Para o activista, a questão não deve ser analisada apenas do ponto de vista jurídico, mas também à luz da credibilidade das instituições públicas.
Na carta, Nuvunga questiona ainda se o Chefe de Estado tinha conhecimento das acusações contra Waldemar de Sousa antes de efectuar a nomeação e se foram realizadas verificações sobre a sua integridade. Pergunta igualmente se a Presidência consultou o Ministério Público e o Tribunal Administrativo sobre a situação processual do nomeado.
O caso das Dívidas Ocultas, segundo o documento, não deve ser visto apenas como uma questão financeira ou judicial, uma vez que os seus impactos são associados às dificuldades enfrentadas por milhões de moçambicanos, incluindo problemas no acesso a medicamentos, escolas e emprego.
Perante este cenário, o activista solicita ao Presidente da República que suspenda ou reconsidere a nomeação até que a situação processual de Waldemar de Sousa seja tornada pública e definitivamente esclarecida.
Nuvunga pede também ao Tribunal Administrativo que informe o país sobre o estado do processo envolvendo o actual nomeado e explique as razões da demora na sua tramitação.
A carta termina com um apelo para que a liderança do Banco de Moçambique seja exercida por uma pessoa cuja integridade esteja acima de dúvidas razoáveis, defendendo que a credibilidade das instituições públicas não deve ser comprometida por razões de conveniência política.






