A 61.ª edição da Feira Internacional de Maputo (FACIM) deverá contribuir para a geração de pelo menos 7,5 mil milhões de dólares em negócios e exportações, segundo a organização, que considera a fasquia atingível tendo em conta o desempenho do comércio externo moçambicano e o potencial de diversificação da produção nacional.
A edição de 2026 decorre de 31 de Agosto a 5 de Setembro, reunindo cerca de 2.300 empresas nacionais, 600 estrangeiras e 29 países.
A expectativa foi avançada pela organização da FACIM durante uma sessão de interacção com os órgãos de comunicação social.
O valor projectado para 2026 toma como referência o desempenho das exportações registado no ano passado. Em 2025, Moçambique exportou cerca de 7,5 mil milhões de dólares, contra aproximadamente 7 mil milhões de dólares em importações, resultado que, segundo a organização, permitiu ao país registar, pela primeira vez, uma balança comercial.
Para o presente ano, a perspectiva mantém-se em torno dos 7,5 mil milhões de dólares, impulsionada pelas exportações de commodities tradicionais, produtos resultantes da diversificação do sector agrário e pela economia de serviços.
A confiança da organização é reforçada pelo desempenho registado nos primeiros seis meses de 2026. Segundo os dados apresentados, o país alcançou cerca de 3,5 mil milhões de dólares em exportações no primeiro semestre, abrindo espaço para que o resultado anual se aproxime ou ultrapasse a fasquia projectada.
A FACIM é apresentada, neste contexto, não apenas como uma feira de exposição, mas como uma plataforma para colocar a oferta produtiva nacional em contacto com investidores, compradores e parceiros internacionais.
A organização entende que o evento pode desempenhar um papel particular na expansão das pequenas e médias empresas, na formalização da economia e na modernização dos processos produtivos.
Apesar da conjuntura económica recessiva, a 61.ª edição conta com uma participação empresarial considerada expressiva. Estão inscritas cerca de 2.300 empresas nacionais, abaixo da previsão inicial de 2.500, mas ainda assim representativas da capacidade de resistência e competitividade do sector privado moçambicano.
Entre os participantes predominam micro, pequenas e maiores empresas, além de cooperativas.
A componente internacional também ganhou dimensão. A feira conta com 29 países e aproximadamente 600 empresas estrangeiras, reforçando a ambição da FACIM de colocar Moçambique no circuito regional, continental e mundial de negócios e investimentos.
A organização considera que a presença de empresas provenientes da Europa, Ásia, América Latina e América do Sul, América do Norte e Médio Oriente demonstra o interesse externo pelas oportunidades existentes no país, desde Cabo Delgado até Maputo.
A dimensão física da feira também cresceu. A FACIM 2026 terá 14 pavilhões, contra 13 em 2025, representando mais um pavilhão em relação à edição anterior.
Os espaços estão segmentados em diferentes categorias e deverão acolher sectores ligados à transformação digital, agricultura, pescas e mar, pequenas e médias empresas e outras áreas consideradas estratégicas para a competitividade económica.
A presença de instituições públicas como os ministérios da Juventude e Desportos, Defesa e Justiça é justificada pela organização pela sua ligação à cadeia de competitividade da economia e pelos activos que podem contribuir para o desenvolvimento económico.
Além da expectativa de negócios, a organização prevê uma afluência de aproximadamente 55 mil visitantes ao longo da feira.
A meta é transformar esse fluxo em oportunidades concretas de negócios, parcerias e ligações empresariais, com particular atenção à participação das 11 províncias do país.
Um dos momentos destinados a esse objectivo será o Dia de Moçambique, concebido para destacar o potencial competitivo do ecossistema empresarial nacional e a sua ligação com os mercados internacionais.
A abertura oficial da 61.ª FACIM abriu hoje as 9 horas, com um programa que incluiu o corte de fita, visitas aos pavilhões e o Dia do Exportador, dedicado à valorização das exportações moçambicanas.
Está igualmente prevista uma sessão bilateral dedicada ao potencial da cooperação entre Moçambique e Brasil.
Ao longo dos seis dias, a programação inclui conferências e os chamados Meeting Invest Rooms, espaços destinados a encontros bilaterais entre Governo, sector privado, parceiros de cooperação e empresas.
O encerramento da feira está previsto para 5 de Setembro, num acto a ser dirigido pela Primeira-Ministra.
Sob o lema “Transformação digital e energética rumo à economia sustentável”, a edição deste ano procura também traduzir no funcionamento da própria feira a aposta na digitalização.
A organização destaca a existência de bilheteira electrónica e de um sistema de registo electrónico, além de uma maior utilização de tecnologias no pavilhão dedicado às micro, pequenas e médias empresas.
A intenção é permitir uma leitura mais clara da participação destas empresas na economia, incluindo a sua capacidade de fornecer bens e serviços ao Estado, às empresas privadas e aos grandes projectos.
A economia agrária tem igualmente uma presença de destaque, abrangendo a agricultura, as pescas, o ambiente e a chamada economia do mar.
A organização pretende mostrar não apenas o potencial dos recursos marítimos, mas também os recursos fluviais e lacustres existentes nas províncias costeiras e do interior.
O turismo surge associado à economia costeira, com a FACIM a servir também de plataforma para a promoção de destinos nacionais e para iniciativas ligadas ao sector.
A aposta passa por aproximar a produção familiar da profissionalização e da comercialização, sobretudo através das micro, pequenas e médias empresas.
Para a organização, os números da 61.ª edição reforçam a posição da FACIM como uma das principais plataformas de exposição, investimento e internacionalização da economia moçambicana.
O crescimento de 13 para 14 pavilhões, a participação de 2.300 empresas nacionais, a presença de 600 empresas estrangeiras, a representação de 29 países e a expectativa de 55 mil visitantes são apresentados como indicadores da dimensão alcançada pelo evento.
(AIM)
Paulino Checo
Fonte: aimnews






