A definição das novas frentes de parceria surge no âmbito da visita de trabalho da Primeira-Ministra, Benvinda Levy , à Sérvia, onde participou na Cimeira Comemorativa do 65.º aniversário da Primeira Conferência dos Chefes de Estado e de Governo do Movimento dos Países Não-Alinhados.
Falando à imprensa moçambicana, no final da cimeira, Benvinda Levy considerou que a deslocação constitui uma oportunidade para recuperar e ampliar as relações entre os dois países.
“Esta é uma oportunidade para restabelecer essas relações e avançar para outras áreas de cooperação, como a área comercial e outras”, afirmou.
A Primeira-Ministra recordou que os laços entre Moçambique e a antiga Jugoslávia remontam ao período da luta de libertação nacional e que as relações diplomáticas entre os dois países foram estabelecidas há 51 anos, após a independência de Moçambique.
Segundo a governante, nos últimos anos, a cooperação esteve essencialmente concentrada no domínio político-diplomático, havendo agora interesse mútuo em alargar a parceria para sectores considerados estratégicos.
Na área da agricultura, a Sérvia manifestou interesse em aprofundar a cooperação com Moçambique. No sector da formação, Belgrado mostrou-se igualmente disponível para aumentar o número de bolsas de estudo destinadas a estudantes moçambicanos.
Actualmente, apenas sete estudantes moçambicanos encontram-se na Sérvia, número que poderá aumentar através de novos mecanismos de cooperação.
“Eles mostraram-se abertos para alargar o número de bolsas e certamente vamos estudar com a Sérvia e com Moçambique como fazer para maximizar esta potencialidade”, revelou Benvinda Levy.
A cooperação poderá também abranger o sector industrial, incluindo a indústria militar, bem como outras áreas que venham a ser identificadas como de interesse comum.
Para transformar estas intenções em acções concretas, Moçambique e Sérvia deverão criar grupos de trabalho encarregues de identificar as áreas com maior potencial e definir mecanismos de implementação.
“Vamos criar grupos de trabalho para ver em que áreas nós temos maior potencial, as boas partes e avançar”, explicou.
No plano multilateral, a Primeira-Ministra considerou que a participação de Moçambique na Cimeira dos Países Não-Alinhados esteve alinhada com os princípios defendidos pelo país, entre os quais o multilateralismo, o respeito pela integridade territorial, a independência dos povos e a resolução pacífica dos conflitos.
Benvinda Levy destacou ainda a actualidade dos Princípios de Bandung, sobretudo perante o actual contexto internacional, marcado por tensões geopolíticas, conflitos e desafios relacionados com as alterações climáticas.
Fonte: O País




