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Acidentes de viação mataram 830 pessoas em 2025 em Moçambique, diz Ministério Público

Resumo

Em 2025, Moçambique registou 611 acidentes de viação que resultaram na morte de 830 pessoas, com um aumento de cinco óbitos em relação ao ano anterior, devido à falta de profissionalismo dos condutores, segundo o procurador-geral da República, Américo Letela. A província de Maputo lidera em número de mortes, seguida pela cidade de Maputo e Gaza, no sul do país. Letela apontou a necessidade de profissionalização dos condutores e de medidas para melhorar a segurança rodoviária, incluindo a fiscalização e formação adequada dos automobilistas, combatendo a corrupção na emissão de cartas de condução. O procurador alertou para a proliferação de mototáxis conduzidos por pessoas sem habilitação, pedindo mecanismos de licenciamento e registo destes operadores. A corrupção no Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários foi também apontada como uma causa da sinistralidade rodoviária, fragilizando a autoridade do Estado e colocando em risco a vida das pessoas.

Moçambique registou 611 acidentes de viação em 2025 que resultaram na morte de 830 pessoas, uma subida em cinco óbitos face ao ano anterior, avançou esta quarta-feira, no parlamento, o procurador moçambicano, admitindo falta de profissionalismo dos condutores.

Ao apresentar aos deputados a informação anual do Ministério Público (MP) referente a 2025, o procurador-geral da República, Américo Letela, indicou que a província de Maputo lidera o número de óbitos, com 152, seguida da cidade de Maputo, com 139, Gaza com 88, todos no sul de Moçambique.

“Concorre para a sinistralidade a falta de profissionalização dos condutores dos transportes públicos, semi-coletivos e de carga, mostrando-se necessário que esta classe de trabalhadores seja sujeita à carteira profissional para o exercício desta atividade e à avaliação periódica, inclusive da sua conduta individual”, disse o procurador-geral moçambicano.

Segundo o responsável, os acidentes estão igualmente relacionados com a violação de normas preventivas, deficiências na fiscalização rodoviária e más condições técnicas dos veículos pedindo, por isso, responsabilidade ao setor do licenciamento para o transporte público de passageiros.

Para o Ministério Público, é preciso que a iluminação e sinalização públicas acompanhem de igual modo o crescimento do parque automóvel para evitar acidentes, admitindo ainda desafios relativos à falta de rigor na formação de automobilistas, esquemas de corrupção e falsificação na emissão de cartas de condução.

“Ainda nos acidentes, cumpre-nos partilhar uma realidade crescente e preocupante que se vem impondo como risco à segurança rodoviária (…) referimo-nos à proliferação de uso de mototaxis, conduzidos por indivíduos inabilitados, sem a devida observância das regras mínimas de condução, em manifesta violação dos limites de capacidade permitida destes meios”, disse Letela, pedindo mecanismos de licenciamento e registo destes operadores, incluindo a devida fiscalização rodoviária para travar acidentes.

O MP moçambicano apontou para a corrupção no Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (Inatro) entre as causas da sinistralidade rodoviária, acusando a entidade de emissão “irregular ou fraudulenta” de cartas de condução, colocando na estrada condutores sem a devida preparação.

“Este fenómeno contribui para o aumento da sinistralidade rodoviária, fragiliza a autoridade do Estado regulador e transforma a estrada num espaço de risco permanente para cidadãos. A corrupção, neste contexto, deixa de ser um problema administrativo ou criminal para se tornar numa ameaça concreta à vida e à integridade física das pessoas”, declarou Américo Letela.

O procurador-geral assumiu que há corrupção na polícia de trânsito que também eleva os índices de sinistralidade rodoviária, fragilizando a autoridade do Estado nas estradas nacionais, ao aceitar “vantagens ilícitas” para permitir a circulação de viaturas em mau estado, ignorando infrações graves ou tolerar a condução sob efeito de álcool, ou sem habilitação legal.

“O exercício de condução por pessoas não habilitadas, a circulação de viaturas sem condições mínimas de segurança e de transporte semicoletivos em situação irregular são consequências diretas de atos de corrupção pelas entidades fiscalizadoras e de fragilidades nos mecanismos de fiscalização”, afirmou.

Em 27 de novembro, o Presidente moçambicano avisou a polícia para tomar medidas que travem a sinistralidade rodoviária, que também associa às práticas de corrupção na corporação, não compreendendo como os comandantes conseguem “dormir” neste cenário.

O procurador-geral moçambicano avançou também que os acidentes lacustres, marítimos e ferroviários mataram 54 pessoas em 2025.

 

Fonte: Observador

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