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Afogamento seco: a verdade que todos os pais deviam conhecer antes das férias

Resumo

O "afogamento seco" ou "afogamento secundário" é um mito que ressurge todos os verões, gerando medo entre os pais. Estes termos não são reconhecidos pela comunidade médica, que os considera imprecisos e alarmantes. Após um incidente aquático significativo, como engasgos graves ou submersões, podem surgir sintomas horas mais tarde, como tosse persistente, dificuldade em respirar e sonolência anormal. No entanto, complicações reais após sair da água são extremamente raras e manifestam-se cedo, não dias depois. A prevenção eficaz contra o afogamento passa pela vigilância constante, barreiras nas piscinas e coletes adequados. É essencial conhecer os sinais reais a vigiar após um susto aquático e focar a atenção na prevenção do afogamento real, que é uma das principais causas de morte acidental em crianças pequenas.

Todos os verões reaparece o medo do “afogamento seco” ou “afogamento secundário”, a ideia assustadora de que uma criança pode brincar na água, parecer bem, e morrer horas ou dias depois em casa. Espalha-se nas redes sociais e tira o sono a muitos pais. A verdade, segundo a comunidade médica, é bastante mais tranquilizadora do que a versão que circula. Vale a pena separar o mito do facto.

Comecemos pelo essencial: “afogamento seco” e “afogamento secundário” não são diagnósticos médicos reconhecidos. Os especialistas em medicina de emergência e em segurança aquática desaconselham estes termos precisamente porque são imprecisos e geram pânico desnecessário. O pânico moderno nasceu de um caso muito mediatizado em 2017, nos Estados Unidos, que a imprensa amplificou e que a comunidade médica veio depois esclarecer. Existe apenas “afogamento”, que pode ser fatal ou não fatal, e que é um processo, não uma morte misteriosa que surge do nada dias depois.

O que é verdade é que, após um incidente aquático significativo, podem surgir sintomas algumas horas mais tarde. Mas a palavra-chave é “significativo”: estamos a falar de um episódio real em que a criança inalou uma quantidade apreciável de água, engasgou-se a sério, foi apanhada por uma onda forte ou esteve submersa. Não é a criança que mete a cara na água da piscina e volta a levantá-la a tossir um bocadinho. Esse pequeno engasgo, que passa em segundos, não é motivo para alarme.

Tosse persistente que não passa, dificuldade em respirar ou respiração acelerada, dor no peito, vómitos, e sobretudo uma sonolência ou apatia anormais, com a criança a parecer “desligada” ou exausta sem explicação. Se algum destes sintomas aparecer nas horas seguintes a um incidente aquático sério, leva a criança para avaliação no próprio dia. Na esmagadora maioria desses casos, após algumas horas de observação, é tudo confirmado como estando bem.

E o que te deve dar descanso: as verdadeiras complicações após sair da água são extremamente raras, e quando acontecem manifestam-se cedo, não dias depois. Sintomas que surgem mais de seis a oito horas depois de um banho, sem qualquer episódio de engasgamento, é muito improvável que tenham a ver com a água. Provavelmente é uma constipação, asma ou outra causa qualquer. Se a criança estiver maldisposta, leva-a ao médico na mesma, mas não com o terror de um “afogamento seco”.

O foco, no fundo, deve estar onde o perigo é real: o afogamento propriamente dito é uma das principais causas de morte acidental em crianças pequenas. Entretanto acontece de forma rápida e silenciosa, não com gritos e debater-se como nos filmes. A prevenção é o que salva vidas: vigilância constante e a um braço de distância junto à água, barreiras nas piscinas, coletes adequados, e nunca confiar que “estão só ali ao lado”.

Resumindo: o “afogamento seco” tal como a internet o pinta é, em grande medida, um mito. Mantém a calma, conhece os sinais reais a vigiar depois de um susto a sério, e canaliza a tua atenção para impedir o afogamento de verdade. Esse, sim, merece todo o respeito.

Conteúdo informativo, não substitui avaliação médica. Para dúvidas, Linha SNS 24: 808 24 24 24.

 

Fonte: Zero Zero


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