InícioRevistaTecnologiaApanhaste uma multa no estrangeiro e achas que não chega a Portugal?

Apanhaste uma multa no estrangeiro e achas que não chega a Portugal?

Aquele excesso de velocidade em Espanha, a portagem que ficou por pagar em França, o estacionamento indevido na Itália… Muita gente conduz lá fora com a ideia tranquilizadora de que “a multa nunca chega a Portugal”. É uma ideia errada e cada vez mais perigosa. Vê como funciona, o que arriscas e porque é que ignorar uma multa no estrangeiro já não é opção.

Desde 2014 que Portugal aplica uma diretiva europeia que permite a troca de informação entre Estados-membros sobre infrações rodoviárias cometidas por veículos matriculados noutro país. Na prática, isto significa que as autoridades do país onde cometeste a infração conseguem aceder aos teus dados e enviar-te a notificação para a tua morada oficial, em português, muitas vezes meses depois.

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Há um sistema europeu de partilha de dados de veículos e cartas de condução, em vigor em Portugal desde 2017, que sustenta este intercâmbio. Ou seja, a distância e o tempo não te protegem: a carta acaba por bater à porta.

E a tendência é de reforço, não de alívio. O Parlamento Europeu aprovou uma revisão das regras que alarga a lista de infrações que ativam a assistência transfronteiriça e obriga o país de residência do condutor a ajudar a identificá-lo e a cobrar. O motivo? Segundo a UE, cerca de 40% das infrações cometidas por condutores estrangeiros ficavam impunes e é precisamente essa “fuga” que estas novas regras querem fechar.

Ignorar a notificação não faz o problema desaparecer. Se não fizeres o pagamento voluntário, o teu nome e a matrícula ficam registados na base de dados do país onde ocorreu a infração. Isso pode traduzir-se em chatices na próxima vez que lá voltares e, em certos casos, na recusa de te alugarem um carro noutro país da União Europeia.

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E atenção a um ponto que muitos desconhecem: se conduzias um carro alugado, continuas a ser tu o responsável. A empresa de aluguer costuma receber a notificação, identificar-te como condutor e cobrar-te o valor, muitas vezes com uma taxa administrativa por cima, podendo até debitar o teu cartão.

Se recebeste a multa, não a deites fora nem finjas que não é contigo. Lê com atenção o prazo e as formas de pagamento indicadas. Se achas que a multa é injusta ou tem um erro, tens o direito de a contestar junto da autoridade do país onde foi aplicada, tal como um residente local faria. Guarda sempre comprovativos de tudo o que pagares ou reclamares.

Uma nota de bom senso: as coimas prescrevem, mas os prazos variam de país para país e não vale a pena apostar nisso como estratégia. O risco de a dívida te seguir é real.

No fundo, a mensagem é simples: dentro ou fora de Portugal, as regras da estrada aplicam-se e hoje as fronteiras já não são o esconderijo que muitos julgam. Conduzir com cuidado lá fora poupa-te dinheiro, tempo e surpresas no correio.

 

Fonte: Zero Zero

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