Resumo
O Banco Mundial divulgou um relatório que prevê um abrandamento do crescimento económico mundial para 2,5% em 2026, levantando preocupações sobre o futuro da economia global. Fatores como conflitos geopolíticos, inflação, aumento da dívida pública e privada e falta de investimento são apontados como causas da desaceleração. As economias em desenvolvimento são as mais vulneráveis, com previsão de crescimento de 3,6% em 2026. A instituição alerta que um quarto das economias emergentes e um terço dos países de baixa renda poderão continuar mais pobres do que antes da pandemia. O Banco Mundial considera que novos problemas no fornecimento de energia e dificuldades financeiras internacionais podem levar a um crescimento global de apenas 1,3%, aproximando o mundo de uma possível recessão. Apesar dos desafios, existem oportunidades para um novo ciclo de desenvolvimento.
O mundo atravessa uma fase de grande incerteza económica, marcada por conflitos internacionais, aumento do custo de vida, endividamento elevado e dificuldades na recuperação dos investimentos. Depois de anos afectados pela pandemia da COVID-19 e por sucessivas crises globais, os sinais apresentados pelo Banco Mundial mostram que a economia internacional continua a enfrentar desafios profundos.
No relatório Global Economic Prospects, divulgado recentemente, a instituição prevê que o crescimento económico mundial abrande para 2,5% em 2026, depois de ter registado uma expansão de 2,9% em 2025. A projecção representa um dos ritmos de crescimento mais fracos fora de períodos de recessão nas últimas décadas, levantando preocupações sobre o futuro da economia global.
O economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, resumiu a preocupação da instituição ao afirmar que, sem uma mudança significativa no cenário actual, a década de 2020 poderá transformar-se numa “década perdida”. A declaração reflecte o receio de que os próximos anos sejam marcados por baixo crescimento, poucas oportunidades e dificuldades acrescidas para milhões de pessoas.
A actual desaceleração não acontece por uma única razão. O Banco Mundial aponta para uma combinação de factores, entre eles os conflitos geopolíticos, a inflação que continua pressionando as famílias e empresas, o aumento das dívidas públicas e privadas e a falta de investimentos suficientes para aumentar a produtividade.
Um dos principais factores de preocupação está relacionado com as tensões no Médio Oriente, que têm influenciado os preços da energia. Quando os custos energéticos aumentam, os efeitos espalham-se por toda a economia, afectando transportes, produção e consumo, o que dificulta a redução da inflação e limita a capacidade dos bancos centrais de baixar as taxas de juros.
No entanto, os impactos desta crise não atingem todos os países da mesma forma. As economias em desenvolvimento são as mais vulneráveis, pois possuem menos recursos para responder aos choques externos. O Banco Mundial estima que o crescimento dos países emergentes e em desenvolvimento deverá cair para 3,6% em 2026.
Além disso, o cenário social continua preocupante. A instituição alerta que, até ao final deste ano, cerca de um quarto das economias emergentes e um terço dos países de baixa renda poderão continuar mais pobres do que eram antes da pandemia. Esta realidade mostra que a recuperação económica global não tem sido suficiente para beneficiar todas as populações.
Desta feita, a possibilidade de uma crise mais profunda não está descartada. O Banco Mundial considera que novos problemas no fornecimento de energia, associados a dificuldades financeiras internacionais, poderão reduzir o crescimento global para apenas 1,3%, aproximando o mundo de uma possível recessão.
Apesar deste diagnóstico preocupante, existem também oportunidades que podem abrir um novo ciclo de desenvolvimento. A instituição destaca três áreas com potencial para transformar a economia nos próximos anos: inteligência artificial, transição energética e fortalecimento do comércio regional.
A inteligência artificial, por exemplo, poderá aumentar a produtividade e mudar a forma como empresas e governos funcionam. Contudo, permanece um grande desafio: a desigualdade tecnológica. Os 24 países mais pobres do mundo representam menos de 0,1% da capacidade mundial de processamento de dados, o que significa que a inovação pode aprofundar ainda mais as diferenças entre países ricos e pobres se não houver políticas de inclusão.
Na área energética, os sinais são mais positivos. Os investimentos em fontes renováveis chegaram a cerca de 2,2 triliões de dólares em 2025, representando aproximadamente dois terços de todos os investimentos no sector energético. Este movimento demonstra uma mudança global em direcção a modelos mais sustentáveis, embora ainda existam desafios para garantir que todos os países tenham acesso a essas tecnologias.
Outro factor apontado pelo Banco Mundial é o crescimento do comércio regional. O número de acordos comerciais aumentou de cerca de 300 em 2020 para quase 400 actualmente, representando cerca de 60% do comércio mundial. A tendência mostra que os países procuram reduzir dependências externas e fortalecer relações económicas mais próximas.
Assim sendo, o futuro da economia global dependerá menos apenas dos números de crescimento e mais da capacidade de os países responderem aos problemas estruturais. Combater a pobreza, reduzir desigualdades e criar condições para investimentos sustentáveis será essencial para evitar que milhões de pessoas fiquem excluídas da recuperação económica.
Como resposta imediata aos riscos provocados pela instabilidade internacional, o Banco Mundial anunciou que poderá disponibilizar até 25 biliões de dólares em liquidez emergencial, com possibilidade de aumentar esse apoio para entre 80 e 100 biliões de dólares nos próximos 15 meses.
Para os governos, a recomendação passa por controlar a inflação, melhorar a gestão das contas públicas, estimular o investimento privado e avançar com reformas que aumentem a capacidade produtiva das economias.




