Resumo
O Governo de Moçambique pretende reforçar a capacidade da Polícia da República de Moçambique (PRM) para combater a disseminação de desinformação e notícias falsas, especialmente nas redes sociais, num contexto em que o crime organizado recorre cada vez mais às tecnologias digitais. O secretário permanente do Ministério do Interior, Victor Canhemba, alertou para a necessidade de uma comunicação institucional mais preparada para responder rapidamente a conteúdos falsos, visando preservar a confiança dos cidadãos. O alerta surge após episódios de violência desencadeados por boatos, destacando a importância de uma resposta coordenada entre as instituições do Estado. Especialistas defendem que o combate à desinformação deve ser feito com critérios claros e proporcionais, privilegiando a transparência e a educação mediática. O reforço das competências dos comunicadores da PRM poderá melhorar a resposta operacional às crises informacionais, mas a credibilidade das instituições públicas será determinante para o sucesso desta estratégia.
O Governo pretende reforçar a capacidade da Polícia da República de Moçambique (PRM) para responder à crescente disseminação de desinformação, notícias falsas e campanhas de manipulação da opinião pública, num contexto em que o crime organizado e transnacional recorre cada vez mais às tecnologias digitais para ampliar o seu alcance. O apelo foi lançado esta segunda-feira pelo secretário permanente do Ministério do Interior, Victor Canhemba, durante a abertura de uma formação dirigida aos comunicadores da corporação.
Segundo Canhemba, a evolução das ameaças à segurança exige uma comunicação institucional mais preparada para responder rapidamente à circulação de conteúdos falsos, sobretudo nas redes sociais. O dirigente defendeu que os profissionais de comunicação da PRM devem reforçar competências em áreas como monitorização do ambiente informacional, gestão de redes sociais, análise de dados, produção multimédia e comunicação em situações de crise, de modo a preservar a confiança dos cidadãos nas instituições públicas.
"O ambiente digital tornou-se um novo espaço de actuação do crime organizado", alertou o secretário permanente, sublinhando que narrativas falsas podem ser utilizadas para desacreditar instituições, gerar pânico e comprometer a ordem pública. Na sua intervenção, defendeu uma resposta coordenada entre as instituições do Estado, baseada em informação rigorosa, transparente e atempada.
O alerta surge poucos meses depois de uma vaga de boatos sobre o alegado desaparecimento ou encolhimento de órgãos genitais masculinos ter desencadeado episódios de violência em várias localidades do país. Segundo dados divulgados anteriormente pelo comandante-geral da PRM, Joaquim Sive, os incidentes provocaram pelo menos 55 mortos e 111 feridos, ilustrando o potencial destrutivo da desinformação quando associada a crenças populares e à rápida circulação de conteúdos nas redes sociais.
A aposta no reforço das capacidades da polícia acompanha uma tendência observada em vários países africanos, onde as autoridades procuram adaptar-se ao crescimento dos crimes cibernéticos e à utilização de plataformas digitais para difundir conteúdos enganosos. Contudo, especialistas em liberdade de expressão têm alertado que o combate à desinformação deve ser conduzido com critérios claros e proporcionais, evitando que medidas destinadas a travar conteúdos falsos possam limitar o exercício legítimo da liberdade de imprensa e da liberdade de expressão. Princípios defendidos por mecanismos internacionais sublinham que respostas ao fenómeno devem privilegiar transparência, educação mediática e informação pública de qualidade.
Em Moçambique, o desafio ganha particular relevância num período em que o uso das redes sociais cresce de forma acelerada e a informação circula com maior velocidade do que a capacidade institucional para a verificar. Neste contexto, o reforço das competências dos comunicadores da PRM poderá melhorar a resposta operacional às crises informacionais. Ainda assim, o sucesso dessa estratégia dependerá não apenas da capacidade de contrariar boatos, mas também da credibilidade que as instituições públicas consigam construir junto dos cidadãos por meio de uma comunicação consistente, transparente e baseada em factos




