Chimoio, 26 Ago (AIM) — O Presidente da Frelimo e da República de Moçambique, Daniel Chapo, defendeu esta quarta-feira, em Chimoio, que as teses para o próximo congresso do partido devem reflectir as aspirações dos moçambicanos e traduzir-se em acções concretas, rejeitando que sejam meros documentos de circulação interna ou “objectos de adorno” para os militantes.
“As teses da Frelimo devem ser teses do povo moçambicano”, afirmou Chapo na abertura da IV Sessão Extraordinária do Comité Central, que decorre na capital da província de Manica, centro de Moçambique, com a participação de 247 dos 252 membros do órgão.
Para o Presidente da Frelimo, o processo de preparação do XIII Congresso deve ultrapassar a dimensão formal e partidária, colocando no centro as expectativas da população e os desafios que o país enfrenta.
“As teses devem espelhar o que o povo moçambicano quer que a Frelimo faça com o povo e para o povo, porque, no final das contas, é o principal beneficiário da nossa acção governativa”, sublinhou.
A posição de Chapo surge num momento em que o partido inicia a preparação da sua próxima reunião magna, prevista para 2027, de acordo com o calendário ordinário do partido. O último congresso realizou-se em 2022.
A IV Sessão Extraordinária do Comité Central tem entre os principais pontos da agenda a apreciação das recomendações da XI Conferência Nacional de Quadros e a análise das linhas gerais para a elaboração das teses ao XIII Congresso.
Chapo apelou aos membros do Comité Central para que encarem o encontro como uma etapa decisiva na definição da orientação estratégica da organização para os próximos anos.
“O Comité Central tem de tomar decisões indicando a data e o local exactos para que comecemos, desde já, os preparativos da reunião magna da FRELIMO, que irá sufragar a visão estratégica que deverá orientar-nos nesta nova era de renovação do partido e do país, rumo à independência económica”, afirmou.
Mais do que cumprir uma formalidade estatutária, o Presidente da FRELIMO pretende que as teses sejam resultado de um processo de auscultação e participação alargado, envolvendo militantes, simpatizantes e a sociedade.
Segundo Chapo, os documentos deverão servir de instrumento para o debate sobre as grandes linhas de orientação do partido e do país, contribuindo para definir respostas aos principais desafios nacionais.
“Não devem ser uma espécie de objectos de adorno que só fazem sentido para os membros do partido”, advertiu.
O Presidente da FRELIMO aproveitou igualmente a sessão para insistir na necessidade de transformar as decisões partidárias em resultados concretos.
Ao recordar as conclusões da Conferência Nacional de Quadros, recomendou aos membros do partido que estudem e se apropriem do discurso de encerramento da reunião, de modo a garantir que as orientações nele contidas não permaneçam confinadas aos documentos oficiais.
“É um discurso que não pode morrer na gaveta dos dirigentes. O povo quer ver os resultados e os impactos destas reuniões, ou seja, ver os discursos materializados nas acções de cada um dos camaradas”, afirmou.
Chapo destacou que as ideias produzidas na conferência devem orientar a FRELIMO naquilo que descreveu como uma “nova era de renovação do partido e do país”, tendo como uma das principais metas a independência económica de Moçambique.
A agenda da sessão extraordinária inclui ainda a apreciação da proposta sobre o Sistema de Atribuição de Medalhas e Condecorações da FRELIMO, instrumento destinado a reconhecer a contribuição de quadros, militantes e outras entidades para o fortalecimento do partido.
Os membros do Comité Central serão igualmente informados sobre o Recenseamento de Raiz dos Órgãos e dos Membros da FRELIMO, iniciado em Janeiro, cujo objectivo é confirmar a existência efectiva das estruturas e dos membros do partido na base.
Outro ponto de destaque é o Diálogo Nacional Inclusivo, processo político que, segundo Chapo, deverá contribuir para definir o modelo de Estado e de sociedade que os moçambicanos pretendem construir, com vista à consolidação da paz, da estabilidade política e da coesão nacional.
A sessão do Comité Central decorre durante um dia, em Chimoio, e reúne 247 dos 252 membros que integram o órgão.
Para Chapo, a responsabilidade que recai sobre os membros do partido é agora transformar as orientações políticas em resultados visíveis. O desafio, deixou claro, é fazer com que as teses do próximo congresso deixem de ser apenas documentos partidários e passem a responder às expectativas do povo moçambicano.
AIM/Redacção
Fonte: aimnews







