Resumo
A deterioração do ambiente geopolítico no Médio Oriente está a afetar as perspetivas macroeconómicas da África do Sul, levando o Institute of International Finance (IIF) a rever em baixa as projeções de crescimento económico do país para 2026, situando-se agora em 1,3%. O impacto da guerra envolvendo o Irão reflete-se nos preços da energia, inflação e política monetária sul-africanos. A escalada dos preços dos combustíveis está a pressionar a economia, com a inflação a atingir 4% este ano, devido ao encarecimento da energia e dos custos de importação de combustíveis. A dependência de importações de produtos petrolíferos refinados do Golfo aumenta a vulnerabilidade do país, com riscos de perturbações no abastecimento energético e pressão sobre a balança de pagamentos. Apesar das pressões, reformas logísticas e preços elevados das commodities podem beneficiar a economia sul-africana.
Segundo a instituição internacional, o crescimento sul-africano deverá situar-se agora em 1,3% em 2026, abaixo da previsão anterior de 1,7%, reflectindo o impacto crescente da guerra envolvendo o Irão sobre os preços da energia, inflação e política monetária.
O IIF considera que o agravamento das tensões no Médio Oriente está a comprometer o processo de recuperação económica sul-africana, sobretudo devido à elevada vulnerabilidade do país à volatilidade dos mercados energéticos internacionais.
Custos Energéticos E Inflação Pressionam Economia
A instituição alerta que a escalada dos preços dos combustíveis está a alimentar novas pressões inflacionistas numa economia já confrontada com desafios estruturais persistentes.
A inflação média na África do Sul deverá agora atingir 4% este ano, acima da previsão anterior próxima de 3%, essencialmente devido ao encarecimento da energia e ao aumento dos custos de importação de combustíveis.
O relatório sublinha igualmente que os preços do diesel estão a subir mais rapidamente do que os da gasolina, devido à maior dependência sul-africana das importações deste combustível e à menor rigidez regulatória sobre os respectivos preços.
Ao mesmo tempo, os mercados financeiros alteraram significativamente as expectativas sobre a trajectória das taxas de juro.
Antes do agravamento do conflito, predominavam expectativas de dois cortes nas taxas directoras ainda este ano. Agora, os mercados passaram a antecipar duas subidas de juros, reflectindo receios de inflação persistente e pressão adicional sobre a moeda sul-africana.
Dependência Do Golfo Aumenta Vulnerabilidade
O IIF destaca que a África do Sul se tornou crescentemente dependente das importações de produtos petrolíferos refinados provenientes dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC).
Essa dependência deixa o país particularmente exposto a eventuais interrupções no Estreito de Ormuz — corredor estratégico para o transporte global de petróleo e combustíveis refinados.
A manutenção das tensões militares na região aumenta assim os riscos de perturbações no abastecimento energético e pressão adicional sobre a balança de pagamentos sul-africana.
O instituto prevê que o défice da conta corrente se agrave para 1,1% do PIB em 2026, acima dos 0,5% anteriormente estimados.
Finanças Públicas Continuam Sob Pressão
O cenário fiscal permanece igualmente desafiante.
O IIF estima que o défice fiscal sul-africano tenha atingido 4,5% do PIB no exercício fiscal 2025/26, embora antecipe uma redução gradual para 4,1% no exercício corrente.
A dívida pública deverá atingir um pico de 78,9% do PIB antes de iniciar uma trajectória gradual de estabilização e redução no médio prazo, aproximando-se de 77,1% do PIB.
Apesar das pressões conjunturais, o IIF identifica alguns factores potencialmente positivos para a economia sul-africana.
Reformas Logísticas Podem Beneficiar Economia
Entre os aspectos favoráveis, o instituto destaca as reformas em curso nos sectores portuário e ferroviário, que poderão beneficiar do redireccionamento de cargas marítimas através do Cabo da Boa Esperança, devido às perturbações nas rotas tradicionais do Médio Oriente.
Além disso, os preços elevados das commodities poderão continuar a sustentar investimento no sector mineiro sul-africano, parcialmente compensando os impactos negativos da crise energética internacional.
O relatório reforça, contudo, que a trajectória económica da África do Sul permanece fortemente condicionada pela evolução do conflito no Médio Oriente, pela dinâmica dos preços energéticos e pela capacidade das autoridades monetárias e fiscais em gerir simultaneamente inflação, crescimento e estabilidade macroeconómica.
Fonte: O Económico






