·
A quebra da produção automóvel na Alemanha e em Espanha está a gerar preocupação entre os fabricantes portugueses de componentes. Mais de mil postos de trabalho poderão estar em risco nos próximos três anos.
A indústria automóvel europeia atravessa um período de forte pressão e Portugal poderá sentir os efeitos. Segundo uma previsão avançada pelo presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), José Couto, ao JN, mais de 1000 empregos em Portugal poderão estar em risco nos próximos três anos.
O alerta surge numa altura em que a produção automóvel tem vindo a diminuir em dois dos principais mercados para a indústria portuguesa: Alemanha e Espanha.
A indústria portuguesa de componentes automóveis está fortemente dependente destes dois mercados. Espanha representa 27,9% das exportações nacionais do setor, enquanto a Alemanha corresponde a 22,2%.
Em conjunto, os dois países representam cerca de 50% das exportações portuguesas de componentes automóveis, tornando a evolução da produção nestes mercados particularmente relevante para as empresas nacionais.
Entre 2019 e 2025, a produção automóvel na Alemanha e em Espanha registou uma redução de 14,3%.
Entre os fatores apontados para esta quebra estão o aumento da concorrência chinesa, os desafios associados à transição energética da indústria automóvel e as tarifas comerciais europeias aplicadas ao setor.
A redução da produção nos grandes fabricantes acaba por ter impacto em toda a cadeia de fornecimento. As empresas portuguesas de componentes, que fornecem fabricantes e fornecedores internacionais, ficam assim expostas à diminuição das encomendas.
Apesar de a indústria automóvel continuar a ter um peso significativo na economia portuguesa, o cenário internacional coloca novos desafios às empresas do setor.
A estimativa da AFIA aponta para a possibilidade de mais de mil empregos serem afetados em Portugal ao longo dos próximos três anos, caso a tendência de redução da produção nos principais mercados europeus se mantenha.
O alerta surge, por isso, não apenas para o setor automóvel, mas para toda a cadeia de empresas que depende da produção de veículos na Europa.
Fonte: Pplware






