Por: Gelva Anibal
Num país onde cerca de 65% da população vive em zonas rurais e a agricultura representa aproximadamente um quarto do Produto Interno Bruto, o investimento anunciado pelo Governo pode ser decisivo para aumentar a produção nacional, reduzir as importações alimentares e criar emprego no campo.
O Governo moçambicano pretende mobilizar cerca de 1,4 mil milhões de dólares para impulsionar a produtividade agrícola e acelerar a transformação de um sector considerado estratégico para a segurança alimentar, a geração de rendimento e a diversificação da economia nacional.
Dados do Banco Mundial indicam que a agricultura, a silvicultura e as pescas representaram cerca de 25,6% do PIB de Moçambique em 2025, enquanto o Instituto Nacional de Estatística estima que 65% da população moçambicana vive em áreas rurais. Estes números ajudam a explicar por que razão qualquer aumento de produtividade no campo tem impacto directo no rendimento das famílias, no abastecimento alimentar e na estabilidade dos preços.
A aposta deverá concentrar-se no reforço de infra-estruturas produtivas, na expansão de sistemas de irrigação, no acesso a sementes melhoradas e fertilizantes, na mecanização, na assistência técnica, no financiamento aos produtores e na integração das cadeias de valor. Trata-se de áreas críticas num sector ainda marcado por baixos níveis de mecanização, forte dependência da chuva e persistentes dificuldades de acesso ao crédito rural.
O desafio, contudo, não será apenas mobilizar recursos. Será garantir que o investimento chegue ao produtor, seja acompanhado por boa execução, transparência, assistência técnica e mercados funcionais. Se bem implementada, a iniciativa poderá transformar a agricultura num dos principais motores do desenvolvimento económico e social de Moçambique, com impacto directo na redução da pobreza rural, no aumento do rendimento das famílias camponesas, na melhoria da segurança alimentar e na criação de oportunidades para jovens e mulheres. Mais do que elevar os indicadores de produção, trata-se de conferir dignidade económica às comunidades rurais, fortalecer a economia local e reduzir a dependência de importações alimentares. Se falhar na execução, o país continuará a adiar o potencial de um sector que sustenta milhões de famílias e pode ser decisivo para um crescimento mais inclusivo.




