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Dólar Norte-Americano Caminha Para Queda Mensal Face a Apostas em Cortes de Juros da Fed

O dólar norte-americano vacila e encaminha-se para uma queda mensal de cerca de 2% em Agosto, reflectindo a crescente convicção dos mercados de que a Reserva Federal poderá cortar as taxas de juro já no próximo mês. A pressão política exercida pelo ex-Presidente Donald Trump sobre a autoridade monetária, somada às dúvidas quanto à sua independência, acrescenta incerteza ao cenário.

Na sexta-feira, o dólar manteve-se instável, enquanto os investidores aguardavam a divulgação do índice de preços PCE, principal indicador de inflação seguido pela Fed. Apesar de dados recentes mostrarem um crescimento económico mais robusto no segundo trimestre, os receios com tarifas e um horizonte fiscal deteriorado continuam a pesar sobre o sentimento dos mercados.

O contexto político agrava a fragilidade da moeda. A tentativa de Donald Trump de afastar Lisa Cook, membro do conselho de governadores da Fed, levou a uma batalha judicial e intensificou os receios de ingerência directa do poder executivo na definição da política monetária. Analistas alertam que a percepção de uma Fed politicamente capturada pode desancorar as expectativas de inflação e reduzir a credibilidade da dívida pública norte-americana.

No mercado cambial, o euro segue para uma valorização mensal de 2%, situando-se em 1,16625 dólares, enquanto a libra esterlina é transaccionada a 1,3509 dólares e o iene a 147,01 por dólar. O dólar australiano deverá encerrar Agosto com ganhos de 1,6%, e o yuan atingiu o nível mais forte dos últimos dez meses.

O índice do dólar, que compara a divisa com seis pares principais, fixou-se em 97,917 pontos, caminhando para uma perda mensal de 2% e acumulando uma queda de quase 10% no ano, à medida que políticas comerciais erráticas afastaram investidores para activos alternativos.

Do lado das expectativas, o CME FedWatch indica que os mercados precificam uma probabilidade de 86% de um corte de juros em Setembro, contra 63% há um mês, e mais de 100 pontos base de flexibilização até Junho de 2026.

Especialistas advertem, contudo, que a descida dos juros de curto prazo não deverá ser acompanhada pelos de longo prazo, dada a preocupação dos investidores com a inflação e a credibilidade fiscal dos EUA. “Um Fed politicamente influenciado poderá manter taxas artificialmente baixas, mas isso pode afastar investidores estrangeiros da dívida norte-americana”, alertou Carol Kong, estratega cambial do Commonwealth Bank of Australia.

Fonte: O Económico

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