A intenção da FIFA em alienar parte do seu capital a fundos de investimento e grandes grupos financeiros preocupa a UEFA, que considera que essa possibilidade «ultrapassa um limite que as instituições que governam o futebol nunca deveriam ultrapassar».
«A UEFA leva este assunto extremamente a sério. Assim também o deveria fazer cada federação nacional e cada parte interessada: ligas, clubes, jogadores, adeptos, governos e todos os que se preocupam com o futuro do jogo. A alma e a governação do futebol não são ativos para serem negociados - especialmente quando não existe transparência sobre quem beneficia financeiramente. Ninguém é dono do futebol. Não cabe à FIFA vendê-lo», partilhou o organismo que tutela o futebol europeu, em reação a um artigo publicado, esta terça-feira, pelo jornal britânico The Times sobre o tema.
Os contestatários da iniciativa temem que a entrada de investidores privados na gestão de grandes competições de futebol, como os mundiais de seleções e de clubes, pode levar à ampliação massificada dos torneios ou ao encurtamento do intervalo de tempo entre edições, por razões económicas.
Entretanto, a FIFA confirmou a intenção de criar uma nova sociedade, que designa de FIFA Forward Enterprise, e desse modo angariar mais de 10 mil milhões de dólares, mais de 8,8 mil milhões de euros à taxa atual, nos próximos quatro anos.
«O objetivo é alargar o acesso ao jogo, reforçar as infraestruturas e as oportunidades no futebol a nível mundial e garantir que todas as federações beneficiem do crescimento da modalidade. A FIFA utilizará este investimento de forma equitativa em todos os países, independentemente da sua dimensão, riqueza ou localização geográfica, em benefício de todos», garante o organismo, numa nota publicada no seu site.
Para ajudar à aprovação do projeto, que necessita do voto favorável da maioria das 211 associações de futebol espalhadas pelo globo, o organismo liderado por Gianni Infantino garantirá a cada uma delas um valor próximo dos 20 milhões de dólares, perto de 17,6 milhões de euros.
A nova sociedade tem como objetivo gerir os principais ativos comerciais da FIFA - direitos televisivos, patrocínios, bilhética e licenciamento - e, caso venha a ser criada, permitirá que a gestão dos Campeonatos do Mundo de futebol se abra, ainda que de forma minoritária, a investidores privados.
Apesar de ter batido recordes de receitas na última edição do Campeonato de Mundo de futebol, disputado nos Estados Unidos, no Canadá e no México, a FIFA acredita que este é um passo importante para acelerar a evolução e a expansão da modalidade.
O fundo Thrive Eternal, detido por Joshua Kushner, irmão do marido de Ivanka Trump, filha de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, é apontado pela própria FIFA como um dos potenciais investidores.
(artigo atualizado às 18h06)
Fonte: CNN Portugal





