InícioNacionalFMI vai negociar nos próximos meses programa de apoio a Moçambique

FMI vai negociar nos próximos meses programa de apoio a Moçambique

Resumo

O Fundo Monetário Internacional (FMI) discutiu com o Governo moçambicano um possível apoio financeiro, planeando regressar a Maputo nos próximos meses para aprofundar as negociações. A missão focou-se em políticas para restabelecer a estabilidade macroeconómica e a sustentabilidade da dívida em Moçambique. O país enfrenta desafios económicos, com crescimento moderado, inflação crescente e desequilíbrios fiscais e externos. A guerra no Médio Oriente e choques climáticos recentes representam riscos adicionais para a economia moçambicana. O Governo moçambicano confirmou a possibilidade de um programa de assistência com o FMI, após ter realizado um pagamento antecipado de dívidas ao Fundo. Este pagamento foi feito para demonstrar uma gestão financeira prudente e restaurar a confiança dos mercados em Moçambique.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou esta sexta-feira que discutiu esta semana com o Governo moçambicano o pedido de apoio, prevendo regressar a Maputo “nos próximos meses” para “aprofundar” essa negociação.

“A equipa discutiu com as autoridades o seu pedido de um programa apoiado pelo Fundo e regressará a Maputo nos próximos meses para aprofundar este pedido e os planos de política das autoridades”, referiu o chefe da missão a Moçambique, que decorreu de 8 a 12 de junho, Pablo Lopez Murphy, citado num comunicado do FMI.

Acrescentou que a equipa do FMI “realizou discussões iniciais sobre as políticas necessárias para restaurar a estabilidade macroeconómica e a sustentabilidade da dívida” de Moçambique. A visita anterior de uma missão do FMI a Moçambique aconteceu em dezembro, mas no âmbito dos contactos regulares.

“As discussões centraram-se em melhorar ainda mais a posição fiscal de forma sustentável, protegendo ao mesmo tempo os vulneráveis e os pobres, reforçar o quadro da política monetária e cambial, preservar a estabilidade financeira, melhorar a governação e promover o crescimento liderado pelo setor privado”, afirmou Murphy.

A missão visava “avaliar a situação económica e as perspetivas”, bem como “manter discussões com o Governo de Moçambique sobre o plano para enfrentar os desafios futuros”, recorda no comunicado.

Na declaração no final da missão, Lopez Murphy reconheceu que Moçambique “enfrenta uma situação económica desafiante num contexto global cada vez mais difícil”, com a atividade económica a “recuperar gradualmente de uma contração em 2025”, embora o crescimento económico permaneça “moderado”.

“A inflação aumentou recentemente, embora a partir de níveis moderados. Os desequilíbrios fiscais diminuíram em 2025, entre condições de financiamento restritivas, mas persistem vulnerabilidades fiscais e da dívida”, admitiu.

Apontou que os “desequilíbrios externos ampliaram-se” no ano passado, “impulsionados” pela quebra nas exportações e aumento das importações pelos megaprojetos, “enquanto a escassez persistente de divisas continua a pesar sobre as importações e a atividade económica”.

“A guerra no Médio Oriente, que elevou os preços dos combustíveis e fertilizantes, está a afetar Moçambique num momento em que o crescimento permanece fraco, também devido a choques climáticos recentes, deixando margem de manobra limitada. Estes desenvolvimentos adversos representam riscos adicionais de queda para o crescimento e de subida para a inflação”, alertou ainda, na declaração final da missão, que, ao longo da semana, se reuniu com a ministra das Finanças, Carla Loveira, e com a administração do Banco de Moçambique, entre outros.

O Governo moçambicano confirmou na segunda-feira que previa abordar um eventual programa de assistência durante esta missão do FMI.

“A visita insere-se no quadro do relacionamento entre o Estado moçambicano e aquela instituição financeira internacional e centrar-se-á na avaliação conjunta de medidas de consolidação fiscal, na identificação de caminhos para reduzir os desequilíbrios macroeconómicos, com vista a um potencial Programa de Facilidade de Crédito”, referia então um comunicado do Ministério das Finanças.

O Ministério das Finanças moçambicano confirmou anteriormente que fez uma “amortização integral e antecipada” de 698.587.604 dólares (630 milhões de euros) junto do FMI, em 23 de março, liquidando financiamentos contraídos no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT).

O pagamento foi feito com recurso às Reservas Internacionais Líquidas (RIL), decisão que a ministra das Finanças, Carla Loveira, assumiu antes demonstrar “capacidade de gestão prudente” dos compromissos, provando aos mercados que Moçambique pretende “restaurar a confiança”.

 

Fonte: Observador


Descubra mais de Revista Tempo

Inscrever-se para receber as últimas mensagens enviadas para o seu e-mail.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

OFICIAL: Mário Nunes assume o comando técnico do Feirense

0
Mário Nunes é o novo treinador do Feirense, conforme noticiado pelo Maisfutebol em momento oportuno. O antigo adjunto de Petit, de 45 anos, não...
- Advertisment -spot_img