Com as ondas de calor a tornarem-se a regra dos verões portugueses, há um risco que se subestima até ser tarde: o golpe de calor. Não é o mesmo que apanhar muito sol ou ficar cansado. Trata-se de uma emergência médica que, em casos graves, pode ser fatal. Saber distinguir os sinais e agir depressa pode salvar a vida de alguém à tua volta, sobretudo crianças e idosos, os mais vulneráveis.
Há uma diferença importante entre dois quadros. A exaustão pelo calor é a fase de aviso: suores abundantes, pele fria e húmida, fraqueza, tonturas, dores de cabeça, náuseas, cãibras musculares e um pulso rápido. Se for tratada a tempo, resolve-se. O golpe de calor é a fase grave. O corpo deixa de conseguir arrefecer-se, a temperatura dispara acima dos 40 graus, e os sinais mudam. Assim a pele pode ficar quente e seca (a pessoa deixa de suar), surge confusão mental, fala arrastada, comportamento estranho, e em casos graves convulsões ou perda de consciência. Este último quadro é uma emergência: liga de imediato para o 112.

Tira a pessoa do sol para um sítio fresco e à sombra, deita-a com as pernas ligeiramente elevadas, alivia-lhe a roupa, e arrefece-a por todos os meios, panos molhados frios, água sobre a pele, leque ou ventilador, e bolsas de gelo nas zonas onde o sangue passa mais à superfície: pescoço, axilas e virilhas. Se estiver consciente e a beber bem, dá-lhe água fresca aos poucos. Nunca dês líquidos a alguém confuso ou semi-inconsciente, pelo risco de engasgamento.
A prevenção é sempre o melhor remédio. Nos dias de calor extremo, evita a exposição ao sol nas horas centrais, bebe água com regularidade mesmo sem teres sede, usa roupa leve e clara e chapéu, e procura locais frescos. Atenção especial aos grupos de risco: bebés e crianças pequenas, idosos, pessoas com doenças crónicas, e quem trabalha ou faz exercício ao ar livre. E nunca, em nenhuma circunstância, deixes uma criança ou um animal dentro de um carro estacionado, nem por um minuto. A temperatura no interior sobe a níveis mortais em pouquíssimo tempo.

O calor faz parte do verão português e não há que ter medo dele, mas há que respeitá-lo. Reconhecer estes sinais a tempo é a diferença entre um susto e uma tragédia.
Fonte: Zero Zero


