InícioRevistaInternacionalGoverno português confirma cinco portugueses incontactáveis. Ministro antecipa "algumas más notícias"

Governo português confirma cinco portugueses incontactáveis. Ministro antecipa "algumas más notícias"

Resumo

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, confirmou que cinco portugueses estão desaparecidos na sequência dos sismos na Venezuela: uma família de quatro pessoas em La Guaira e uma mulher em Caracas. Portugal enviará uma missão de emergência com 53 operacionais para auxiliar nas buscas. Rangel admitiu possíveis más notícias e destacou as dificuldades de comunicação devido ao colapso das redes. A missão inclui elementos da GNR, Proteção Civil, equipas com cães de busca, médicos, enfermeiros e material de ajuda humanitária. A partida depende da coordenação com as autoridades venezuelanas e da ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Rangel mencionou a possibilidade de reforçar a equipa e sublinhou a importância da ajuda portuguesa e europeia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, confirmou esta quinta-feira, em entrevista à CNN Portugal, que há cinco portugueses desaparecidos na sequência dos fortes sismos que atingiram a Venezuela: uma família de quatro pessoas na região de La Guaira e uma mulher na zona de Caracas. O governante admitiu que Portugal poderá receber "algumas más notícias" nas próximas horas e anunciou o envio de uma missão de emergência com 53 operacionais para apoiar as operações de busca e salvamento.

"Nós sabemos já, à medida que vão avançando as horas, que haverá uma família de quatro pessoas em La Guaira que estará mesmo desaparecida e, portanto, poderá estar debaixo de escombros e que haverá uma portuguesa também na zona de Caracas", revelou Paulo Rangel. Questionado sobre o estado da mulher desaparecida, o ministro respondeu que "claramente já não é um problema apenas de comunicação", embora tenha ressalvado que ainda não é possível confirmar se se encontra soterrada ou se conseguiu escapar.

O chefe da diplomacia portuguesa sublinhou que a maioria dos contactos recebidos pelo Governo dizem respeito a dificuldades em comunicar com familiares e amigos devido ao colapso das telecomunicações. "Há muitas pessoas que estão incontactáveis e isso não significa que estejam numa situação de risco de vida ou que sejam já vítimas deste terrível sismo", afirmou, explicando que "os telefones e a internet estão em baixo em muitas zonas".

Ainda assim, Paulo Rangel reconheceu que o cenário é preocupante. "Infelizmente, eu julgo que nós teremos algumas más notícias ao longo do tempo", afirmou, justificando que, caso se confirmem as projeções que apontam para milhares de vítimas mortais, "a probabilidade de haver pessoas com ligação a Portugal é maior". Recordou ainda que vivem na Venezuela mais de meio milhão de portugueses e lusodescendentes, o que faz com que a tragédia tenha "um impacto ainda mais forte" para Portugal.

Em resposta à emergência, Portugal preparou uma força de intervenção composta por cerca de 53 elementos especializados. Segundo o ministro, a missão integra operacionais da Unidade de Emergência de Proteção e Socorro da GNR, elementos da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, equipas policiais com cães de busca e salvamento, dois médicos, dois enfermeiros e tripulantes de ambulância, além de material de ajuda humanitária. "Isto é ajuda de emergência para salvamento", frisou.

A partida da missão dependerá, contudo, da coordenação com as autoridades venezuelanas e da ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Paulo Rangel revelou que a confirmação desse mecanismo chegou enquanto concedia a entrevista à CNN Portugal, classificando-a como "um avanço muito importante" para que a ajuda portuguesa e europeia possa seguir para o terreno. O ministro recusou, porém, avançar uma data para a partida da equipa, invocando razões logísticas e operacionais.

O governante admitiu ainda que esta primeira missão poderá ser reforçada. "Provavelmente nós teremos que ter depois segundas vagas de ajuda", afirmou, acrescentando que, numa fase posterior, Portugal poderá enviar também material médico, colchões, bens essenciais e outros meios destinados a apoiar os milhares de desalojados provocados pelo sismo.

Quanto aos tripulantes da TAP que tiveram de abandonar o hotel onde se encontravam alojados, Paulo Rangel garantiu que todos estão em segurança. Relativamente à perda de documentos, explicou que os serviços consulares podem emitir documentos provisórios de viagem e elogiou a atuação da companhia aérea. "É preciso louvar a TAP, porque tomou conta de toda a operação", afirmou. Neste momento, porém, não existe previsão para a saída daqueles cidadãos da Venezuela, uma vez que o espaço aéreo permanece condicionado.

Sobre um eventual repatriamento de portugueses residentes na Venezuela, o ministro afirmou que essa hipótese não está, para já, em cima da mesa. "Neste momento não está previsto isso", disse, sublinhando que a prioridade absoluta continua a ser salvar vidas nas primeiras horas após a catástrofe, período que classificou como decisivo para encontrar sobreviventes.

Paulo Rangel garantiu ainda que o Ministério dos Negócios Estrangeiros continuará a atualizar a informação à medida que for possível obter dados confirmados no terreno. O ministro apelou aos familiares para utilizarem os contactos do gabinete de crise, dos consulados de Caracas e Valência, reconhecendo que as comunicações continuam muito limitadas. "Toda a informação que tranquilize a comunidade portuguesa e os seus familiares é a nossa prioridade", concluiu.

 

Fonte: TVI

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