No Conselho de Segurança, António Guterres apresentou uma revisão sobre o futuro das operações de paz. O relatório exige a adaptação da organização às novas realidades geopolíticas e tecnológicas.
Os sete pilares da reformulação
Apesar do alto número de conflitos, a demanda por mudanças não é recente. Em 2024, durante as negociações do Pacto para o Futuro, os Estados-membros solicitaram uma revisão sobre as operações de paz da organização e como elas podem se adaptar para permitir respostas mais ágeis.
A base da revisão das estruturas criadas no pós-Guerra Fria foram as consultas com os países, missões e o sistema da ONU, com a participação de parceiros regionais e da sociedade civil no contexto das guerras modernas.
O novo plano propõe sete eixos prioritários, priorizando a diplomacia preventiva e o uso dos bons ofícios da ONU. Para o secretário-geral, a utilização de tropas de paz deve ocorrer apenas em último caso.

Uma ampla visão de uma reunião do Conselho de Segurança
Evitar a duplicação de tarefas
Também é necessária a articulação com equipes locais, agências, fundos e programas da ONU para evitar a duplicação de tarefas, garantindo o alinhamento de objetivos com os atores nacionais, já que a paz precisa ser construída internamente.
Guterres afirma que esse trabalho deve ter responsabilidade no uso dos recursos, foco nos resultados, tolerância zero para desvios de conduta do pessoal em campo, estruturas administrativas flexíveis, eficiência operacional e inclusão feminina.
Para atingir tal resultado, as ações devem prever estratégias de saída e transição desde o início das missões.
Novas ameaças
O uso crescente de drones, a ameaça de armas letais autônomas, a interferência de redes criminosas e o desrespeito ao direito internacional aumentam a complexidade das operações.
Com os novos desafios que os conflitos do século 21 apresentam, as Nações Unidas defendem o fortalecimento do ecossistema multilateral, destacando a parceria com a União Africana.
No pronunciamento, Guterres reconheceu ainda que, sob o Capítulo VII da Carta da ONU e com autorização do Conselho de Segurança, operações de imposição da paz lideradas por organizações regionais podem ser justificadas em cenários específicos.
A condição para que isso ocorra é que a busca de soluções políticas seja feita com respeito aos direitos humanos.
Fonte: ONU







