InícioRevistaSociedadeINGD activa plano de acção antecipada face à seca extrema

INGD activa plano de acção antecipada face à seca extrema

Maputo, 8 Jul (AIM) – O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) deliberou, esta quarta-feira, a activação do Plano de Acção Antecipada face à seca em distritos das províncias de Gaza e Inhambane, no sul de Moçambique.

A medida abrange os distritos de Mapai, Massangena, Chigubo, Mabote, Chicualacuala e Massingir, na província de Gaza, bem como Massinga, Jangamo e Homoíne, em Inhambane, como acção de prontidão perante a ameaça da ocorrência do fenómeno El Niño.

Segundo a presidente do INGD, Luísa Meque, há necessidade de todas as instituições estatais, públicas, privadas e parceiros de cooperação harmonizarem as acções antecipadas destinadas a reduzir perdas e minimizar os impactos da seca.

“Todos nós temos de estar atentos às várias acções e informações que devem ser levadas a cabo, através da monitoria que o Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) continuará a realizar”, afirmou.

No sector da agricultura, explicou que, em coordenação com o INGD, deverá ser assegurada a distribuição de sementes, aproveitando as zonas húmidas existentes, de modo a evitar que a sua disponibilização ocorra apenas quando a seca já estiver instalada, situação que poderá comprometer a germinação.

Relativamente ao abastecimento de água, sublinhou a necessidade de garantir a reabilitação e manutenção dos furos de água.

Quanto ao sector da pecuária, defendeu a implementação de medidas de protecção do efectivo pecuário, recordando os impactos da seca registada entre 2014 e 2016.

“A seca de 2014-2016 foi muito severa. Lembra-nos que, nos distritos de Magude e Moamba, encontrávamos cabeças de gado praticamente caídas ao longo das áreas de pastagem”, recordou.

O Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres (CTGRD) recomendou igualmente ao sector da gestão dos recursos hídricos o lançamento de campanhas de sensibilização sobre o uso racional da água.

Durante a II sessão do CTGRD, o sector da saúde defendeu que, para além da promoção do uso racional da água, é necessário reforçar as acções ligadas à nutrição, à agricultura de conservação e à adopção de práticas agrícolas resilientes.

“Todos nós, Governo e parceiros, devemos estar envolvidos nestas actividades para garantir a implementação efectiva das contribuições de cada sector”, afirmou.

Actualmente, um total de 15 distritos encontra-se sob monitoria devido ao risco de seca, nomeadamente Changara, Chibuto, Mabalane, Marara, Machanga, Magoe, Beira, Govuro, Machaze, Mutarara, Panda, Chiúta, Namuno, Chiúre e Moamba.

O CTGRD recomendou ainda a elaboração ou actualização dos planos distritais de acção antecipada, bem como o reforço da monitoria levada a cabo pelo Instituto Nacional de Meteorologia, com vista à produção de indicadores de risco cada vez mais precisos.

Por outro lado, foi recomendado ao Instituto Nacional de Acção Social (INAS) que continue a identificar os grupos mais vulneráveis, de modo a garantir uma resposta atempada.

Na ocasião, o representante do Banco Mundial, Xavier Chavane, recordou que, durante a seca de 2014-2016, o Governo declarou o estado de emergência, o que permitiu mobilizar os parceiros de cooperação.

Segundo explicou, o Banco Mundial activou o mecanismo de resposta imediata à seca, disponibilizando mais de 20 milhões de dólares norte-americanos.

Grande parte deste financiamento foi aplicada na construção de sistemas de abastecimento de água nas zonas áridas das províncias de Gaza e Inhambane, em resposta aos efeitos da seca.

Chavane revelou ainda que, em 2024, o Banco Mundial apoiou o Governo na elaboração de uma política e estratégia para as zonas áridas, documento aprovado pelo CTGRD, mas que ainda não foi submetido ao Conselho de Ministros.

“Parece-nos oportuno que esta política e estratégia sejam submetidas ao Conselho de Ministros para aprovação”, afirmou.

Segundo o representante do Banco Mundial, este instrumento permitirá harmonizar todas as intervenções destinadas ao desenvolvimento das zonas áridas.

Acrescentou que a instituição está disponível para continuar a apoiar o INGD na mobilização de recursos para a implementação da estratégia a médio e longo prazos.

(AIM)

MR/pc

 

Fonte: aimnews

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