InícioRevistaSociedadeINGD destaca antecipação como elemento central na gestão dos desastres

INGD destaca antecipação como elemento central na gestão dos desastres

Maputo, 14 de Agosto (AIM) – A Presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, defendeu a antecipação como elemento central na gestão de desastres em Moçambique, durante o balanço da Época Chuvosa e Ciclónica 2025/2026, realizado esta quarta-feira, em Maputo.

O encontro juntou membros do Conselho Técnico de Gestão e Redução do Risco de Desastres (CTGD), parceiros de cooperação, representantes das Nações Unidas, sociedade civil e dirigentes locais, num momento marcado pela avaliação dos impactos da época e pela definição de prioridades para o próximo ciclo de riscos.

De acordo com o relatório apresentado, a época 2025/2026 foi marcada por cheias, inundações, seca, surtos de cólera e pela passagem do Ciclone Tropical GEZANI. No total, 1.684.963 pessoas foram afectadas pelos diferentes eventos, número que, apesar da sua dimensão, ficou abaixo da estimativa inicialmente prevista no Plano de Contingência.

Para Luísa Celma Meque, os resultados demonstram que investir antes da ocorrência de um desastre pode fazer a diferença entre a prevenção de perdas e uma resposta marcada por maiores danos humanos e materiais.

Entre Dezembro de 2025 e Março de 2026, foram activadas oito acções antecipadas em seis bacias hidrográficas e uma operação relacionada com o ciclone, medidas que permitiram evacuar 7.214 pessoas e fazer chegar alertas a cerca de 1,5 milhão de pessoas, em alguns casos com até cinco dias de antecedência.

“A prevenção e a antecipação salvam vidas e reduzem o impacto dos desastres”, afirmou a Presidente do INGD.

A dirigente destacou igualmente o papel desempenhado pelos voluntários e pelas comunidades, que estiveram entre os primeiros a prestar assistência quando a capacidade das estruturas formais de resposta foi ultrapassada.

Para Meque, o país precisa agora de avançar para um sistema de aviso prévio mais eficaz e orientado para o impacto. O objectivo, explicou, não deve ser apenas informar sobre a ocorrência de determinado fenómeno, mas indicar onde o impacto será maior, quem estará em risco e que medidas cada comunidade deverá adoptar.

O workshop contou com a participação de administradores de alguns dos distritos mais afectados pelas cheias e inundações. Entre os presentes estiveram Natália Fernando Chivambo, de Govuro; Matias Albino Parruque, de Manhiça; José Tomás Lopes, de Machanga; José Mucono Paulo Mavume Mutoroma, de Buzi; Avelina Jorge Nhamzimo, de Xai-Xai; Jaime Mugabe, de Guijá; e Narciso Nhamuhuco, de Chókwè.

Participaram igualmente Ossemane Chahabudine Adamo, Presidente do Município de Xai-Xai, e Pedro Viola Catangala, Chefe do Posto Administrativo de Maganja da Costa.

A presença dos responsáveis locais permitiu levar para o debate as experiências vividas no terreno, num contexto em que as comunidades continuam a ser a primeira linha de resposta perante muitos dos eventos extremos que afectam o país.

O encerramento do balanço da época 2025/2026 não significa, para o INGD, o fim do ciclo de preparação. Pelo contrário, marca o início dos trabalhos para a época 2026/2027, perante a previsão de ocorrência de um El Niño de forte magnitude.

Luísa Celma Meque apelou, por isso, a uma resposta imediata e concreta: rever os planos de contingência, reforçar as rotas alternativas, pré-posicionar recursos e assegurar financiamento que permita actuar antes da ocorrência dos desastres.

“As lições aprendidas só têm valor quando se transformam em mudança”, sublinhou.

A Presidente do INGD defendeu ainda que as recomendações resultantes do balanço devem ser assumidas como um compromisso colectivo, envolvendo o CTGD, parceiros de cooperação e as próprias comunidades.

Ao terminar o encontro, Meque reconheceu o trabalho dos técnicos, da UNAPROC, das forças de defesa e segurança e das comunidades, destacando a coragem, a solidariedade e a capacidade de resistência demonstradas durante a época chuvosa e ciclónica.

A aposta deverá estar na antecipação, no reforço dos sistemas de alerta, na preparação das comunidades e na mobilização atempada de recursos. Para o instituto, a meta passa por transformar a experiência acumulada em capacidade efectiva de prevenção.

“Antecipar os riscos, reduzir as vulnerabilidades, proteger vidas e construir comunidades mais resilientes” continua a ser, segundo a dirigente, a missão central da gestão e redução do risco de desastres em Moçambique.

(AIM)
Paulino Checo/

 

Fonte: aimnews

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