Passas o cabo de rede pela casa, à procura do caminho mais discreto, e acabas por o encostar à cablagem elétrica, atrás de um móvel, ao longo do mesmo canto, agarrado ao fio de uma extensão. Parece inofensivo. Mas pode ser exatamente a razão pela qual a tua ligação com fios anda instável, lenta ou a cair sem explicação. Há uma regra simples de distância que resolve o problema, e vale a pena conhecê-la. Logo à partida é não juntar o cabo de rede ao da luz.
Os cabos de rede são feitos para bloquear o “ruído” elétrico, os blindados ainda mais, mas não são totalmente imunes a ele. Quando corres um cabo de dados junto a um cabo de corrente durante um bom bocado, o campo eletromagnético gerado pela eletricidade pode interferir com o sinal de dados.

Essa interferência traduz-se em coisas concretas e irritantes: velocidades mais baixas, perdas aleatórias de ligação, ou uma rede que devia ser sólida por cabo e afinal se comporta pior do que o Wi-Fi. O efeito agrava-se em trajetos longos e em divisões com muitos aparelhos ligados.
Não existe um número universal, mas a orientação prática é clara. Se o cabo de rede e o cabo elétrico correm lado a lado, em paralelo, deixa entre eles pelo menos 20 centímetros. Em muitos casos, 15 centímetros já resolvem, mas 20 é a margem segura.
Se o teu cabo de rede for blindado, feito precisamente para resistir a interferências, podes aproximá-lo mais, mas nunca menos de 5 centímetros do cabo elétrico. Abaixo disso, nem a blindagem garante.
Há dois gestos simples que evitam a maior parte dos problemas.

O primeiro: quando os dois cabos tiverem mesmo de se cruzar, faz com que se cruzem em ângulo reto, a 90 graus. Assim, o trecho em que ficam encostados é o mais curto possível e é precisamente o percurso lado a lado, longo, que gera a interferência.
O segundo, e o mais importante de todos: nunca ates nem agrupes o cabo de rede junto ao cabo elétrico. Prendê-los juntos com abraçadeiras, ao longo de metros, é o cenário perfeito para o sinal degradar. Se precisas de os levar na mesma direção, mantém-nos separados por essa distância mínima.
Aqui é preciso ter cuidado com o alcance desta dica. Tudo isto se aplica a cabos à vista, os que esticas ao longo de um rodapé, atrás de móveis ou por cima de portas. Mexer em cablagem elétrica embutida na parede, em calhas técnicas ou junto ao quadro elétrico não é trabalho para o utilizador comum: é para um eletricista qualificado. Se a solução implicar tocar na instalação elétrica da casa, chama um profissional. A poupança de uns minutos nunca compensa o risco de choque.
Para terminar, uma curiosidade que muita gente desconhece. Além de dados, um cabo de rede pode transportar eletricidade de baixa tensão graças a uma tecnologia chamada PoE (Power over Ethernet). Ela permite que um único cabo de rede leve ao mesmo tempo a ligação à internet e a energia necessária para alimentar certos aparelhos.
É por isso que muitas câmaras de videovigilância, pontos de acesso Wi-Fi e telefones de escritório funcionam com um só cabo, sem precisarem de tomada por perto. Convém deixar claro que esta energia nada tem a ver com a das tomadas de casa: é uma corrente baixa e segura, pensada só para pequenos dispositivos, e não substitui de forma nenhuma a instalação elétrica.
No fim, a regra de ouro é fácil de reter: cabo de rede e cabo da luz podem seguir na mesma direção, mas nunca de mãos dadas. Uns 20 centímetros entre eles chegam para a tua ligação deixar de sofrer.
Fonte: Zero Zero





