Chimoio (Moçambique), 04 Ago (AIM) – A acção humana e os factores naturais estão a colocar em risco várias espécies de animais e plantas endémicas existentes no Parque Nacional de Chimanimani (PNC), localizado no distrito de Sussundenga, província de Manica, centro de Moçambique.
Entre as espécies ameaçadas figuram animais de grande e pequeno porte, nomeadamente elefantes-de-montanha, antílopes, águia-marcial, pangolins, morcegos, borboletas, gafanhotos e a ave Apalis chirindensis, entre outras, cuja sobrevivência está comprometida devido à pressão das actividades humanas e aos efeitos das mudanças climáticas.
A informação foi avançada hoje (04) pelo administrador do Parque Nacional de Chimanimani, Lionel Massicame, durante a XIII Sessão Ordinária do Conselho de Representação do Estado, realizada na província de Manica.
Segundo Massicame, para além da fauna, o parque alberga igualmente diversas espécies de plantas endémicas vulneráveis e ameaçadas, destacando-se Vernonia muelleri muelleri, Impatiens salpinx, Basananthe parvifolia e Promerops gurneyi, entre outras.
“Até à realização do censo da biodiversidade foram identificadas e classificadas cerca de 1.490 espécies de animais e plantas. Destas, 1.043 pertencem à fauna e 447 à flora. Algumas destas espécies poderão desaparecer se não forem reforçadas as medidas de conservação”, advertiu.
O responsável esclareceu, contudo, que o risco não abrange todas as espécies existentes no parque.
“Estas são as espécies identificadas em todo o parque. Apenas algumas encontram-se em situação de ameaça”, precisou.
Entre os principais factores que colocam em perigo a biodiversidade do Parque Nacional de Chimanimani, Massicame apontou a mineração, as queimadas descontroladas, a caça furtiva, a agricultura itinerante e os eventos extremos associados às mudanças climáticas.
Para fazer face a estes desafios, explicou que a administração do parque tem intensificado patrulhas de fiscalização para combater a caça furtiva e as queimadas, bem como acções de sensibilização dirigidas às comunidades residentes na zona tampão, incentivando práticas responsáveis de agricultura e mineração.
“É um trabalho conjunto entre Moçambique e o Zimbabwe, uma vez que o parque estende-se aos dois países. Por isso, as acções de conservação são desenvolvidas de forma coordenada pelas autoridades dos dois Estados”, afirmou.
O Parque Nacional de Chimanimani, anteriormente designado Reserva de Chimanimani, foi criado ao abrigo do Decreto n.º 34/2003, de 19 de Agosto, tendo sido recategorizado pelo Decreto n.º 43/2020, de 17 de Junho, com o objectivo de salvaguardar um habitat único, caracterizado por uma elevada biodiversidade e um alto nível de endemismo.
A área protegida visa igualmente preservar o Maciço de Chimanimani, onde nascem 44 cursos de água que alimentam diversos rios que atravessam a província de Manica e outras regiões do país.
É igualmente nesta área que se localiza o Monte Binga, com 2.436 metros de altitude, o ponto mais elevado de Moçambique. Chimanimani é ainda considerado um importante património histórico e cultural.
AIM/Redacção
Fonte: aimnews



