Resumo
As marcas brancas, produtos de supermercado com o nome do próprio estabelecimento, são muitas vezes fabricadas pelos mesmos produtores das marcas líderes, oferecendo qualidade semelhante a preços mais baixos. No entanto, nem todas as marcas brancas são produzidas pelas marcas conhecidas, havendo variações de qualidade. O mito de que o código de barras revela o fabricante ou o país de produção é falso, já que os primeiros dígitos apenas indicam o país onde o código foi registado. A forma mais fiável de descobrir o fabricante de uma marca branca é através da informação na embalagem. Assim, a escolha entre marcas brancas e líderes deve ser baseada na experiência e na comparação de produtos, garantindo a melhor relação qualidade-preço.
Comecemos pela parte verdadeira e fascinante: sim, muitas marcas brancas são produzidas pelos mesmos fabricantes que produzem as marcas líderes. Faz todo o sentido do ponto de vista económico. Uma grande fábrica de bolachas, de iogurtes ou de detergentes tem capacidade de produção a mais. Produzir também para a marca branca de um supermercado é uma forma de a rentabilizar. Por vezes o produto é praticamente o mesmo, com outra embalagem; outras vezes é uma versão com uma receita ou especificação ligeiramente diferente, ajustada ao preço pretendido. Ou seja, em muitos casos estás a pagar bastante menos por algo muito parecido com o original. Isto apenas sem o custo do marketing e do nome.

Mas atenção: isto nem sempre acontece, e é aqui que muita gente exagera. Nem toda a marca branca é feita pela marca líder. Há fabricantes que se dedicam quase exclusivamente a produzir para marcas da distribuição. Entretanto há produtos de marca branca com qualidade superior ou inferior aos das grandes marcas, conforme o caso. Generalizar que “é tudo igual, só muda o rótulo” é um exagero, a verdade é que varia imenso de produto para produto.
E agora o mito que tens mesmo de conhecer, porque circula sem parar: a ideia de que o código de barras te diz quem fabricou o produto ou em que país se fez. Vês muitas publicações a afirmar que “se o código de barras começa por este número, é fabricado naquele país” ou “este prefixo revela a marca verdadeira”. É falso. Os primeiros dígitos do código de barras correspondem ao país onde a empresa que registou aquele código está sediada ou onde fez o registo e não, necessariamente, ao local onde o produto foi fabricado nem à fábrica que o produziu. Uma empresa portuguesa pode ter um produto fabricado noutro país e ainda assim ter um código de barras com prefixo português, e vice-versa. Por isso, esse “truque” que te ensinam para descobrir o verdadeiro fabricante simplesmente não funciona.

Então como podes saber, de facto, quem fabrica uma marca branca? A pista mais fiável está, por lei, na própria embalagem. Procura a informação do fabricante ou da entidade responsável, normalmente em letras pequenas, que pode identificar a empresa que produz o artigo. Em alguns produtos alimentares, há ainda códigos de identificação sanitária que permitem, com algum trabalho, rastrear a origem. Mas a forma mais honesta de o saber é mesmo ler o que está escrito no rótulo, e não fiar-te de teorias de código de barras.
No fim, a conclusão prática é a que interessa à tua carteira: as marcas brancas são, muitas vezes, uma excelente compra, com qualidade comparável à das marcas líderes por um preço bastante menor. Mas não compres por mito nem por boato. Compra por experiência. Testa, compara, e fica com aquilo de que gostas. Há marcas brancas que são autênticas pechinchas e outras que não compensam, e só experimentando é que descobres quais.
Fonte: Zero Zero






