O Ministério Público (MP) confirmou a existência de um inquérito a decorrer sobre alegadas interferências no setor da arbitragem do futebol, divulgadas esta segunda-feira pelo jornal Público, numa investigação em o MP que é coadjuvado pela Polícia Judiciária.
«Confirma-se a existência de inquérito a correr termos no DCIAP, que teve origem em denúncia recebida. Na investigação, o Ministério Público é coadjuvado pela PJ-UNCC [Unidade Nacional de Combate à Corrupção]», disse à agência Lusa fonte do Ministério Público.
Na investigação publicada esta segunda-feira pelo jornal Público, é referido que a Polícia Judiciária recebeu uma denúncia, com mais de vinte páginas, sobre alegadas ingerências na nomeação dos árbitros, com referência explícita a dois jogos do Estrela da Amadora relativos à ponta final do campeonato 2025/26.
Os mesmos motivos que levaram à demissão do antigo árbitro Duarte Gomes do cargo de Diretor Técnico Nacional de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) no final de junho, com o organismo federativo a remeter para o Ministério Público os factos relatados para esta decisão.
Duarte Gomes, substituído no cargo por João Ferreira, garantiu que está disponível para prestar todos os esclarecimentos necessários de modo a explicar os motivos que estiveram na base da sua decisão.
«Se for esse o caso, estarei totalmente disponível para prestar todos os esclarecimentos adicionais que me forem solicitados pelas entidades competentes, relativamente aos factos de que tomei conhecimento e aos motivos que determinaram a minha renúncia», informou o antigo árbitro através de uma publicação nas redes sociais, no dia em que a FPF remeteu o caso ao Ministério Público.
Luciano Gonçalves quebra o silêncio: «Nunca influenciei qualquer árbitro»
O Conselho de Justiça da FPF instaurou também um processo de inquérito ao presidente do Conselho de Arbitragem (CA) federativo, Luciano Gonçalves, após a saída de Duarte Gomes, que, entretanto, já foi arquivado por falta de «indícios suficientes da prática de infração disciplinar».
O inquérito incidiu, entre outras matérias, sobre alegações de que o presidente do CA, Luciano Gonçalves, teria transmitido informações sobre futuras nomeações de árbitros, bem como sobre uma mensagem enviada a um árbitro antes de um encontro da Liga.
O processo a Luciano Gonçalves foi instaurado na sequência de uma denúncia de Duarte Gomes, que depois de se demitir do cargo de Diretor Técnico Nacional de Arbitragem alegou que um árbitro tinha partilhado consigo «um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade, suscitaram preocupações institucionais muito relevantes».
O relatório considerou provado que Luciano Gonçalves enviou uma mensagem a Hélder Malheiro [na foto], mas concluiu que «não foi possível determinar, com segurança, o contexto nem o significado da mensagem», rejeitando que existam elementos suficientes para afirmar que a mesma estivesse relacionada com alegadas promessas de manutenção de Hélder Malheiro na primeira categoria.
O instrutor entendeu que não foi produzida prova suficiente que permitisse concluir que Luciano Gonçalves tenha facultado antecipadamente informação sobre a nomeação de árbitros ou que tenham existido nomeações efetuadas a pedido de qualquer clube.
Fonte: CNN Portugal





