Quando Christopher Nolan decide criar algo, o mundo sustém a respiração. Afinal de contas, é muito raro sair daqui um filme que não valha a pena ver, muitas vezes nas gigantescas salas IMAX. Mas, desta vez, as coisas não estão a correr de feição. Já existe toda uma aura negativa à volta da obra, e é de facto muito provável que o investimento feito na produção não seja recuperado nas salas.
Podemos dizer que a Internet já decidiu que é para cancelar, e quando isso acontece… Bem… Há muito pouco a fazer.

Portanto, o porquê de todo este negativismo é óbvio, e já foi mais do que discutido por essa Internet fora. Ainda assim, julgar um filme por comentários na Internet, antes de o mesmo ter chegado ao mercado, é… Algo sem sentido.
Sendo exatamente por isso que fomos ver o filme antes do seu lançamento em Portugal, e já sabemos o que este vale. É terrível? Não, longe disso. É um bom filme? Sim, a puxar para o mais ou menos. Não é a melhor obra cinematográfica que vais ver com pipocas na mão.
No fim do dia, eu daria um 7/10. Talvez um 6.5 que acaba arredondado para 7.

Sem querer levantar muito o véu, há muito para gostar, mas… também há muito para não gostar. É uma balança com um equilíbrio algo frágil.
Sim, o filme em si está bem conseguido em vários aspetos muito importantes. Os cenários são incríveis, as roupas estão todas elas bem conseguidas, e muitos dos atores conseguem muito provavelmente desempenhar o papel das suas lives. As coreografias estão também bem feitas, bem como o CGI, deixando vivo o mito que este conto nos deixou na alma durante anos a fio.
De facto, até a história está bem resumida, algo que não é nada fácil de fazer, não fosse AOdisseia, épico poema atribuído a Homero, composta por 24 cantos (ou rapsódias) e um total de cerca de 12 mil versos.

Sim, óbvio que vou falar em Elliot Page (Sinon) e Lupita Nyong’o (Helena de Tróia). Mas o maior problema, a meu ver, nem sequer está aqui. Porque eles mal aparecem no ecrã, e como tal, o impacto é muito pequeno na trama.
Aliás, ao contrário do que corre na Internet, Elliot Page não assume o papel de Aquiles. Em vez disso, é apenas mais um soldado, que por acaso fez um grande sacrifício e acaba por ter interesse na história. Se aparece no ecrã mais de 2 minutos é muito.
Não porque são maus atores. Óbvio que não são. Mas… Não encaixam. E, além de não encaixarem, estão cansados à vista dos espetadores. Aparecem em demasiados projetos num curto espaço de tempo. Por exemplo, Zendaya vai aparecer aqui, em Dune, em Homem-Aranha, e talvez também em Vingadores. Preferia ver caras novas, com vontade de sucesso e de fama.
Depois, temos alguns dos diálogos, especialmente os de Tom Holland que fazem muito pouco sentido. Dizer “Mom” e “Dad”? Em vez de “Mother” e “Father”? É estranho e fica mal. Especialmente quando estamos situados numa era bastante longíqua e mítica aos olhos de todos. Entretanto, Matt Damon (Ulisses), que é quem mais tempo ocupa no filme, também não é genial, mas isso é uma opinião pessoal. Acho que ele faz sempre o mesmo papel, em qualquer filme.
São detalhes. Que vão irritar mais umas pessoas que outras. Mas, fiquei com a ideia de que o elenco foi escolhido pelo nome, e não pela sua capacidade de interpretar os papéis.
Mas… No fim do dia, o filme não é mau. Está muito longe de ser mau. Nolan sabe filmar, sabe editar/cortar, e sabe entregar algo à audiência. Se podia ser melhor? De facto podia. Mas é um bom filme. Só não é o filme que nós queríamos ver.
Fonte: Zero Zero




