Resumo
A escalada de ataques contra cidadãos estrangeiros na África do Sul tem gerado reações, incluindo a condenação do Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que classificou os episódios como uma afronta aos princípios de liberdade e justiça do país. Os ataques já causaram mortes, deslocaram milhares de pessoas e levaram muitas famílias a abandonar as suas comunidades, com sete moçambicanos e cinco etíopes entre as vítimas fatais. A tensão em torno da presença de imigrantes ilegais tem aumentado, com protestos contra estrangeiros e a exigência de que estes deixem o país até 30 de junho. Ghebreyesus sublinhou a importância de tratar preocupações relacionadas com imigração de forma legal e institucional, rejeitando a violência como resposta. O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, negou acusações de xenofobia, mas admitiu que a imigração é um desafio, planeando enviar enviados para esclarecer a posição oficial do país.
A escalada de ataques contra cidadãos estrangeiros na África do Sul continua a gerar reacções dentro e fora do continente africano. Entre as vozes que se juntaram à condenação da violência está a do Director-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que classificou os recentes episódios como uma afronta aos princípios de liberdade e justiça pelos quais o país lutou durante décadas.
A posição foi tornada pública através de uma mensagem divulgada nas redes sociais, na qual o Diretor-Geral da OMS lamentou as consequências humanas dos ataques. Segundo Ghebreyesus, os incidentes já provocaram mortes, deslocaram milhares de pessoas e deixaram muitas famílias sem condições de permanecer nas suas comunidades.
Entre as vítimas mortais registadas até ao momento estão pelo menos sete cidadãos moçambicanos e cinco etíopes, que perderam a vida em ataques ocorridos em Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental. Além disso, milhares de estrangeiros terão abandonado as suas residências por receio de novos actos de violência.
O pronunciamento de Ghebreyesus surge numa altura em que cresce a tensão em torno da presença de imigrantes ilegais em território sul-africano. Em várias regiões do país, manifestações contra estrangeiros tornaram-se mais frequentes e, em alguns casos, exigiram a intervenção das forças de segurança para evitar confrontos.
Uma das organizações que tem liderado estes protestos é a March and March. O movimento anunciou recentemente que os estrangeiros sem documentação regular devem deixar a África do Sul até ao dia 30 de Junho, uma posição que tem alimentado o debate sobre imigração e segurança no país.
Ao comentar a situação, Ghebreyesus recordou que a história da África do Sul foi marcada pela solidariedade de vários países africanos durante os anos de combate ao apartheid. Na sua visão, os actos de violência dirigidos contra estrangeiros entram em contradição com esse legado de união continental.
O dirigente destacou ainda o papel desempenhado pela Etiópia no apoio à luta de Nelson Mandela. Segundo afirmou, aquele país contribuiu para que o antigo líder sul-africano pudesse circular pelo continente em 1962, numa época em que procurava apoio para a causa anti-apartheid. Outros Estados africanos, acrescentou, também prestaram assistência política e financeira ao movimento de libertação.
Perante o actual clima de tensão, Ghebreyesus defendeu que eventuais preocupações relacionadas com a imigração devem ser tratadas dentro dos mecanismos legais e institucionais. Para o responsável da OMS, o recurso à violência não pode ser uma resposta para resolver divergências ou reivindicações sociais.
Enquanto isso, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, rejeitou as acusações de xenofobia dirigidas ao seu país. O chefe de Estado considera que existe uma narrativa baseada em informações falsas que procura prejudicar a imagem da África do Sul perante os restantes países africanos.
Ainda assim, Ramaphosa reconheceu que a imigração representa um desafio para o país. Como resposta, anunciou que enviados do Governo irão deslocar-se a vários Estados do continente para explicar a posição oficial das autoridades sul-africanas e contrariar aquilo que considera ser uma campanha de desinformação.







