Resumo
A OMS e o África CDC afirmam que o aumento de casos de ebola se deve à expansão dos testes e rastreio de contactos. Até agora, foram confirmados 550 casos e 101 mortes, com 19 pacientes recuperados. Uma resposta unificada está em curso na RD Congo, com mais de 100 profissionais especializados mobilizados. A descentralização dos testes permitiu diagnósticos no mesmo dia, eliminando atrasos. Cerca de 100 casos suspeitos estão a ser investigados. O rastreio de contactos já abrange 5.040 pessoas, com o objetivo de atingir 90% de cobertura. A operação conta com tecnologia avançada para superar desafios de conectividade na região.
As duas entidades defendem que, embora a operação enfrente sérios desafios logísticos num território extenso, a estratégia de aproximar a ciência do epicentro do surto já começa a dar resultados.
Confirmados 550 casos
O diretor de Operações de Alerta e Resposta a Emergências de Saúde da OMS, Abdirahman Mahamud, informou que, até segunda-feira, 550 casos e 101 mortes foram notificados.
A boa notícia é que existe um total cumulativo de 19 pacientes recuperados, fruto da eficácia na identificação e no tratamento precoces. O especialista está em Bunia, na província de Ituri, na RD Congo, área que reúne 94% de casos.
Do lado congolês, está a ser implementada uma resposta unificada de saúde pública sob o princípio de “Uma Só Resposta” para travar a cadeia de transmissão do vírus.
Nesta terça-feira, a agência da ONU anunciou que mobilizou mais de 100 profissionais especializados, incluindo epidemiologistas, pessoal de logística, especialistas em cuidados clínicos e pesquisadores de vacinas. A meta é apoiar diretamente as autoridades congolesas.
Profissionais de saúde se preparam para trabalhar em um centro de tratamento de ebola recém-inaugurado em Bunia, República Democrática do Congo.
Capacidade dos laboratórios
Para além do pessoal do setor, foram entregues 40 toneladas de equipamentos e suprimentos médicos essenciais para garantir a segurança dos profissionais de saúde, reforçar a capacidade dos laboratórios e manter os hospitais operacionais.
Um dos maiores avanços da resposta ao atual surto é a descentralização dos testes. A OMS ajudou a instalar laboratórios de campanha nas áreas mais afetadas, incluindo Bunia, Kivu do Norte, Kivu do Sul e Mongbwalu, estando já planeada a expansão para o distrito de Aru.
Diagnósticos no mesmo dia marcam o fim dos atrasos
Com a nova infraestrutura descentralizada, o tempo de espera foi eliminado: todos os casos suspeitos podem agora ser testados e processados num prazo máximo de 24 horas dentro dos próprios centros de tratamento.
A operação conta com um sistema de dados de ponta a ponta de última geração que regista todo o percurso da amostra, desde a recolha inicial até à fase de isolamento e tratamento. Este método tecnológico permite superar inclusive as barreiras da conectividade limitada de internet na região.
Atualmente, mais cerca de 100 casos suspeitos estão a ser rigorosamente investigados para confirmação ou descarte oficial.
Rastreio de contactos pretende chegar aos 90%
O aumento das atividades de vigilância permitiu identificar e colocar sob acompanhamento contínuo 5.040 contactos nas províncias orientais congolesas de Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul.
Os dados mais recentes partilhados pela OMS revelam que a taxa de contactos efetivamente rastreados na RD Congo situa-se entre os 62% e os 64,4%.
Mesmo com avanços firmes, o objetivo é atingir uma cobertura mínima de 90%. O maior obstáculo para acelerar a meta reside na dimensão geográfica de províncias como Ituri, onde as grandes distâncias complicam a recolha célere de amostras.
Abdirahman Mahamud defende que o sucesso das operações depende inteiramente da confiança comunitária e que a “atuação lado a lado com agentes de saúde locais ajuda a identificar melhor os casos suspeitos e a encaminhá-los de forma segura para os centros de tratamento.”
Um especialista em água e saneamento do Unicef explica as medidas de prevenção do ebola a alunos de uma escola primária em Bunia, Ituri, República Democrática do Congo
Situação no Uganda e apelo à solidariedade global
No vizinho Uganda, o balanço aponta para 19 casos confirmados, incluindo duas mortes, e um caso provável que também resultou em óbito. Até ao momento, não existem evidências de transmissão comunitária em território ugandês.
Nesta terça-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, esteve pessoalmente no Uganda para supervisionar as operações e reunir-se com governantes, pacientes e equipes médicas de primeira linha.
A meta é blindar a região e evitar o alastramento do vírus a outros países vizinhos, como o Quênia. Para isso, a OMS reforçou o apelo aos doadores internacionais para que financiem o plano conjunto de US$ 518 milhões.
O montante é urgente para capacitar os laboratórios regionais e garantir que a resposta ao ebola seja rápida, coordenada e definitiva, descrita pelas autoridades como “uma ameaça real que se sabe como parar”.
Fonte: ONU






