InícioRevistaTecnologiaOs Data Centers vão dar cabo disto tudo? Calma!

Os Data Centers vão dar cabo disto tudo? Calma!

Sempre que se fala no megainvestimento da AWS (Amazon Web Services) de 7,8 mil milhões de euros em Portugal ou no megaprojeto do Start Campus em Sines, salta logo da toca a brigada do “vão-nos tirar a água toda” e do “a minha conta da luz vai disparar por causa dos computadores deles”.

Óbvio que espalhar desinformação e pânico na rede dá muito clique, mas a realidade técnica do terreno é totalmente diferente do faroeste que se vive do outro lado do Atlântico. Esqueceram-se de olhar para como as coisas se fazem na Europa e, em particular, em Portugal.

guardar na cloud,

O pânico do consumo de água vem diretamente dos Estados Unidos.

Lá, as autoridades ambientais dormem na forma e os incentivos fiscais empurram os Data Centers para o meio de zonas desérticas. Como arrefecer um centro de dados no deserto sai caro, usam sistemas evaporativos que gastam e evaporam milhões de litros de água potável por dia. Uma vergonha, sem dúvida.

Mas adivinhem lá? Na Europa essa javardice é proibida e os sistemas são em circuito fechado. Melhor ainda: o mega Data Center que estão a levantar em Sines vai reaproveitar o loop de arrefecimento de água do mar da antiga central termoelétrica. Sabem quanta água potável das nossas albufeiras ou aquíferos é que isso vai gastar para arrefecer os servidores? Zero! Entra água do mar fria e sai água do mar ligeiramente menos fria através de um permutador de calor, cumprindo limites ambientais rigorosos. Ponto final.

Sim, um Data Center consome eletricidade que dói. É inegável.

Mas Portugal é, precisamente, um dos poucos países da Europa com uma capacidade de produção de energia renovável (eólica e solar) invejável e em expansão constante. Gigantes como a Amazon não vêm para cá às cegas. O plano de investimento da AWS traz associado o financiamento e a compra de contratos de energia limpa (PPAs) de longa duração, injetando dinheiro privado na nossa própria rede elétrica e acelerando a transição verde.

Não vais ter 5.000 pessoas a apertar parafusos como numa linha de montagem dos anos 80, é verdade. Mas vais ter engenheiros de redes, especialistas em segurança, manutenção de sistemas e “remote hands” qualificadas e bem pagas. Para além de colocar Portugal definitivamente na rota mundial do tráfego de dados e da Inteligência Artificial, em vez de continuarmos a ser apenas o país que vive do turismo de massas e dos empregados de mesa a ganhar o salário mínimo.

Em suma, no final do dia, se queremos internet rápida, serviços de cloud que não falhem, inteligência artificial a funcionar e investimento de biliões a entrar no país, temos de ter onde meter os servidores. Portugal pode aproveitar essa situação. Tem é de saber jogar o jogo.

 

Fonte: Zero Zero

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

- Advertisment -spot_img