InícioNacionalSociedadePOTENCIAL AGRÍCOLA DE MANICA E OS DESAFIOS DO SEU APROVEITAMENTO

POTENCIAL AGRÍCOLA DE MANICA E OS DESAFIOS DO SEU APROVEITAMENTO

Resumo

A província de Manica destaca-se como um importante centro de produção de frutas de exportação em Moçambique, gerando receitas anuais acima dos 30 milhões de dólares. Com destaque para a produção de lichia e abacate, a região contribui significativamente para a economia nacional, exportando para mercados exigentes como França, Alemanha e China. Além disso, a produção local de tomate e citrinos ajuda a reduzir a dependência externa e a fortalecer a segurança alimentar. O crescimento da industrialização em Chimoio, com investimentos em infraestruturas de processamento e valorização de frutas, demonstra um potencial de crescimento significativo. No entanto, é crucial superar desafios logísticos e melhorar a cadeia de valor para que Manica se consolide como um polo agroindustrial de destaque.

Por: Gentil Abel

A província de Manica vem consolidando a sua posição no mapa económico de Moçambique como um verdadeiro celeiro de frutas de exportação. Com receitas anuais que já ultrapassam os 30 milhões de dólares, a região afirma-se como um dos principais motores agrícolas do país, impulsionando tanto a produção como a entrada de divisas.

Neste contexto, os dados disponíveis revelam um cenário encorajador, ainda que marcado por algumas desigualdades. Manica é responsável por cerca de 60% da produção nacional de lichia, tendo alcançado uma meta de comercialização superior a 25 mil toneladas em 2023, destinadas a mercados exigentes como França, Alemanha e China. Paralelamente, o abacate impulsionado por investimentos privados significativos em Chimoio, segue a mesma trajectória ascendente, posicionando-se como um produto de elevado valor no mercado internacional. A este leque juntam-se culturas como banana, manga, citrinos e até experiências com morango, evidenciando a diversidade agrícola da região.

Como consequência, este dinamismo agrícola tem impactos diretos na economia nacional. Só a exportação de frutas contribuiu com cerca de 7 milhões de dólares em 2022, inseridos num total de 32 milhões de dólares exportados pela província. A lichia, por si só, injeta aproximadamente 3 milhões de dólares anuais em divisas no país, ajudando a equilibrar a balança de pagamentos e reforçando a importância estratégica do sector.

Por outro lado, a produção local também desempenha um papel crucial na substituição de importações. O aumento da produção de tomate e citrinos em distritos como Vandúzi e Sussundenga permite abastecer o mercado interno, reduzindo a dependência externa, sobretudo em períodos de escassez. Este factor não apenas poupa divisas, como também contribui para a estabilidade dos preços e para o reforço da segurança alimentar.

Entretanto, um dos desenvolvimentos mais relevantes na província é o crescimento da industrialização local, particularmente em Chimoio. Este processo tem sido marcado pela expansão de infraestruturas de processamento e valorização de frutas, tanto para o mercado nacional quanto para exportação. O sector vive uma fase de transformação, impulsionada pela entrada de novos centros de processamento e pela modernização de unidades já existentes.

Entre os principais exemplos, destaca-se a Westfalia Fruit, que recentemente expandiu as suas instalações de embalagem (packhouse) em Chimoio para responder à crescente procura internacional de abacate. De igual modo, o Centro de Agregação de Frutas e Vegetais de Báruè surge como uma infraestrutura moderna que apoia pequenos agricultores na conservação, processamento e exportação dos seus produtos.

Além disso, empresas como Frutas do Revué, com certificação internacional de segurança alimentar (ISO 22000), têm contribuído para a organização dos processos produtivos e para a garantia de qualidade. Já a Macs in Moz (Mac&Moz) concentra-se na produção e processamento de macadâmia e abacate para exportação.

Importa sublinhar que esta industrialização não se limita a grandes unidades. Ela estende-se também a centros de embalagem (packhouses), onde a fruta é selecionada e preparada segundo padrões internacionais, bem como a unidades de secagem distribuídas pelo governo em distritos como Gondola e Vandúzi, com o objectivo de reduzir perdas pós-colheita.

A criação de infraestruturas como o centro de Báruè e o envolvimento de grandes empresas mostram que existe uma base sólida para crescimento.

Neste sentido, torna-se fundamental acelerar a industrialização, reduzir os custos logísticos e melhorar a cadeia de valor. Caso estas barreiras sejam superadas, Manica poderá consolidar-se não apenas como o “pomar” de Moçambique, mas também como um verdadeiro polo agroindustrial.

Diante deste cenário, impõe-se uma reflexão inevitável: será que o potencial produtivo de Manica está, de facto, a ser plenamente aproveitado?

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