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Picada de alforreca na praia: o que fazer (e porque é que o truque do xixi é um mito)

Resumo

Durante o verão, as alforrecas tornam-se mais comuns nas praias portuguesas devido ao aumento das temperaturas da água. Em caso de picada, é importante evitar alguns mitos: não se deve urinar na zona afetada, lavar com água doce ou esfregar a pele. O correto é lavar com água do mar, remover os tentáculos com cuidado e aplicar calor na zona para desativar o veneno. Procurar ajuda do nadador-salvador é essencial, especialmente em casos graves ou com a presença da caravela-portuguesa, cuja picada é mais perigosa. Em situações de emergência, como reações alérgicas graves, deve-se ligar para o 112. É fundamental ter precaução com crianças, idosos e pessoas com problemas de saúde.

Estás a dar um mergulho refrescante num dia de calor e, de repente, sentes aquela ardência inconfundível na pele. Olhas e percebes: foste picado por uma alforreca. Com o aumento das temperaturas da água, estes animais aparecem em força nas praias portuguesas durante o verão, e a probabilidade de teres um encontro desagradável com um deles é real. A boa notícia é que, na maioria dos casos, a picada de alforreca na praia é dolorosa mas inofensiva, desde que saibas o que fazer. E, sobretudo, o que nunca deves fazer, porque há mitos por aí que só pioram a situação.

Vamos começar precisamente por desmontar o maior de todos: não, não deves fazer xixi na picada. Este é provavelmente o mito mais famoso e mais inútil que existe. A urina não tem qualquer propriedade que neutralize o veneno e, em certos casos, pela sua composição, pode até estimular as células urticantes que ainda estejam na pele a libertar mais veneno. Por isso, esquece de vez essa cena dos filmes. É desagradável, não ajuda em nada, e pode piorar.

Há mais dois erros graves que muita gente comete por instinto. O primeiro é lavar a zona com água doce, seja da garrafa ou do chuveiro da praia. A água doce altera o equilíbrio das células urticantes que ficaram agarradas à pele e faz com que disparem ainda mais veneno. Ou seja, exatamente o contrário do que queres. O segundo erro é esfregar a zona, seja com a mão, com a toalha ou com areia. Ao esfregar, estás a rebentar mais células urticantes e a espalhar o veneno. Nada de friccionar.

Mantém a calma, porque o pânico só piora tudo. Sai da água e lava a zona afetada com água do mar, nunca doce. A água salgada ajuda a estabilizar as células sem as ativar. Se ficaram restos de tentáculos agarrados à pele, retira-os com muito cuidado, de preferência com uma pinça ou com a borda de um cartão, nunca com os dedos desprotegidos. Depois disto, o calor é o teu melhor amigo: para a maioria das alforrecas das nossas praias, mergulhar a zona em água o mais quente que conseguires suportar (sem te queimares) durante alguns minutos ajuda a desativar o veneno e a aliviar bastante a dor. Em alternativa, uma compressa quente serve.

O mais importante de tudo, porém, é simples: procura o nadador-salvador. Eles estão treinados para isto, sabem que espécies andam por ali, têm material adequado e vão dar-te a melhor indicação para o caso concreto. Não tenhas vergonha nem aches que estás a incomodar. É literalmente para isso que lá estão, e a bandeira que assinala a presença de animais marinhos perigosos (a roxa) existe precisamente por causa destes episódios.

Se a picada foi extensa, se atingiu zonas sensíveis como a cara, os olhos ou a boca, se a pessoa começa a ter dificuldade em respirar, tonturas, vómitos, inchaço generalizado ou outros sinais de reação alérgica grave, isto deixa de ser uma simples picada e passa a ser uma emergência. Nesses casos, liga imediatamente para o 112. O mesmo vale para crianças pequenas, idosos ou pessoas com problemas de saúde, em que convém sempre ter mais cuidado.

Uma palavra especial para um habitante particularmente desagradável das nossas águas: a caravela-portuguesa. Apesar do nome e do aspeto que lembram uma alforreca, é um animal diferente e a sua picada é mais perigosa, com tentáculos que podem ser muito compridos. Se vires na praia aqueles “balões” azulados e arroxeados, na água ou na areia, não lhes toques de todo. Mesmo já fora de água e aparentemente mortos, continuam a picar. Aqui, mais do que nunca, o caminho é o nadador-salvador e, se necessário, ajuda médica.

 

Fonte: Zero Zero

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