Os três suspeitos detidos no âmbito das investigações sobre o assassinato do bispo da Diocese de Quelimane, Dom Osório Citora Afonso, foram apresentados esta quinta-feira ao juiz de instrução criminal do Tribunal Judicial da Província da Zambézia, no quadro do processo de legalização das detenções.
Os arguidos — um padre, um guarda e um jardineiro — permaneceram durante várias horas no tribunal, onde decorreram diligências do primeiro interrogatório judicial, num processo acompanhado com grande expectativa pela comunicação social e pela sociedade civil.
Até ao final da tarde, o tribunal ainda não tinha concluído a audiência, prolongando a incerteza sobre os contornos do caso que continua a marcar a opinião pública nacional.
Por volta das 18 horas, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) realizou uma conferência de imprensa, onde apresentou os primeiros elementos resultantes das investigações.
Segundo o porta-voz do SERNIC na Zambézia, Domingos Barone, foram realizadas várias diligências técnico-científicas para apurar as circunstâncias da morte do prelado.
“O corpo da vítima foi submetido à perícia médico-legal, foram realizados exames balísticos ao invólucro encontrado no local do crime, bem como ao projétil extraído do corpo da vítima, exames de ADN e análises a vestígios biológicos. Também foram realizadas audições a pessoas de interesse operativo”, explicou.
O SERNIC confirmou ainda que os primeiros indícios apontam para uma morte violenta com recurso a arma de fogo, tendo sido identificados suspeitos no âmbito da investigação.
“Da prova indiciária coligida até aqui, foram identificados cidadãos potencialmente suspeitos do cometimento do crime. Até ao momento existem três detidos, que já foram sujeitos ao primeiro interrogatório judicial, tendo sido legalizada a prisão preventiva”, acrescentou Domingos Barone.
O porta-voz não respondeu a perguntas adicionais da imprensa, incluindo questões relacionadas com a origem da arma utilizada no crime, deixando em aberto várias interrogações sobre o caso.
Enquanto decorriam os procedimentos judiciais, a cidade de Quelimane foi palco da chegada dos restos mortais de Dom Osório Citora Afonso à Sé Catedral, vindos do Hospital Central, num ambiente de profunda consternação.
Na catedral, iniciou-se uma vigília de oração com a participação de fiéis, religiosos e membros da diocese, num programa que se prolonga até à realização do funeral eclesiástico.
Segundo o padre da Sé Catedral de Quelimane, Dionísio Camacho, a programação envolve diferentes grupos da igreja em turnos de oração contínua.
“Passamos toda a tarde, toda a noite, até amanhã às sete horas, quando iniciamos os preparativos finais para a cerimónia fúnebre, prevista para as nove horas”, explicou.
As cerimónias fúnebres contam com a presença de diversas individualidades nacionais e estrangeiras, incluindo representantes diplomáticos e membros do Governo.
Entre as personalidades destacam-se o representante de Moçambique junto da Santa Sé, o Núncio Apostólico em Moçambique e o ministro da Justiça e Assuntos Religiosos, que se deslocaram a Quelimane para prestar homenagem ao prelado.
O Núncio Apostólico, Dom Luís Cárdaba, manifestou profunda consternação pela morte do bispo, sublinhando o impacto da perda no seio da Igreja Católica.
“É uma notícia muito triste. O Santo Padre está muito preocupado com a situação e aguarda o esclarecimento deste assassinato. A sociedade precisa de se pacificar e reconciliar”, afirmou.
Também o embaixador de Moçambique junto da Santa Sé, Raúl Domingos, destacou a expectativa em torno do desfecho das investigações.
“Espero que muito brevemente tenhamos o resultado das investigações em curso para tranquilizar esta preocupação legítima de toda a sociedade moçambicana”, disse.
As cerimónias fúnebres continuam a mobilizar autoridades, religiosos e fiéis, num ambiente de luto que marca profundamente a Diocese de Quelimane e o país em geral.