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Trump diz que acordo com o Irão - a que quer chamar "acordo Trump" - será assinado "em breve". Se "correr mal" culpa-se JD Vance e "voltamos aos bombardeamentos"

Resumo

Donald Trump anunciou que o acordo entre os EUA e o Irão será assinado em breve, afirmando que o entendimento alcança os objetivos desejados e impede o Irão de obter armas nucleares. Trump elogiou o acordo como positivo, mas alertou que os EUA poderão retomar os bombardeamentos se as negociações não forem concluídas em 60 dias. O presidente criticou o acordo nuclear de 2015, referindo que o novo entendimento é uma barreira contra armas nucleares. Trump elogiou a nova liderança iraniana e admitiu enviar o vice-presidente, JD Vance, para a assinatura do acordo. Além disso, elogiou Benjamin Netanyahu, apesar de divergências na estratégia no Líbano.

Donald Trump anunciou esta quarta-feira que o acordo alcançado entre os Estados Unidos e o Irão deverá ser assinado "em breve", afirmando que o entendimento "alcança tudo o que pretendíamos e muito mais" e garante que Teerão nunca obterá uma arma nuclear.

Em declarações aos jornalistas à margem da cimeira do G7, em França, o presidente norte-americano afirmou que o memorando de entendimento deverá ser assinado "amanhã, talvez no dia seguinte" e revelou que pretende distribuir cópias do documento, cuja assinatura está prevista para sexta-feira, na Suíça.

Apesar de considerar que o acordo é "muito positivo", Trump advertiu que os Estados Unidos poderão voltar a atacar o Irão caso as negociações não sejam concluídas no prazo de 60 dias.

"Se não for concluído em 60 dias, não há problema - voltamos aos bombardeamentos", afirmou. "Não quero fazer isso, porque o acordo é muito positivo. Mas poderemos ter de o fazer, porque nunca vamos permitir que tenham uma arma nuclear."

Segundo Trump, o Irão já concordou em não desenvolver armas nucleares, algo que, garantiu, ficará explícito no acordo. O presidente norte-americano voltou também a criticar o acordo nuclear de 2015, negociado durante a presidência de Barack Obama, classificando-o como "terrível" e como "um caminho para a obtenção de uma arma nuclear".

"Vamos chamar-lhe o acordo de Trump", afirmou, sustentando que o novo entendimento representa "uma barreira intransponível contra uma arma nuclear".

Trump defendeu ainda que o acordo põe fim ao conflito, reabre o Estreito de Ormuz e evita uma escalada militar que poderia ter-se prolongado durante semanas ou até anos.

"Podíamos ter continuado os bombardeamentos por mais três semanas, duas semanas, quatro semanas ou até dois anos", declarou.

O presidente norte-americano considerou que o entendimento alcançado permitiu evitar consequências económicas graves.

"Não queria ver uma catástrofe económica. Se isto continuasse, isso poderia ter acontecido", afirmou.

Trump elogiou também a nova liderança iraniana, descrevendo-a como "muito inteligente" e "muito menos radicalizada".

"Acho que vão comportar-se de forma muito diferente. Veem um estilo de vida diferente ao qual nunca tinham sido expostos", acrescentou.

Questionado sobre a assinatura do acordo, Trump admitiu enviar o vice-presidente, JD Vance, para representar os Estados Unidos.

"Posso fazê-lo, mas trata-se de um memorando de entendimento. É muito importante, mas pode não ser o tipo de documento que eu deva assinar", afirmou.

Perante a hipótese de ser Vance a deslocar-se à Suíça, respondeu em tom de brincadeira: "Gosto dessa ideia. Claro. Assim, se correr bem, fico com o mérito. Se correr mal, culpo o JD."

"Tem cuidado, JD! Ele vai dar meia-volta no avião e sair daqui rapidamente", acrescentou.

Trump elogiou Benjamin Netanyahu, que descreveu como "um homem muito competente" e um "primeiro-ministro fantástico", mas admitiu ter divergências com o líder israelita quanto à estratégia seguida no Líbano.

"Ele entusiasma-se um pouco às vezes", afirmou, acrescentando ter aconselhado Netanyahu a adotar uma abordagem mais moderada. "Eu digo-lhe: ‘Pode ter uma abordagem mais suave. Talvez não seja necessário destruir um edifício sempre que alguém do Hezbollah entra nele’".

O presidente norte-americano afirmou que Israel é um "bom parceiro", mas considerou que "poderia fazer mais" em relação ao Hezbollah.

"Não estou a dizer que não se devam proteger. Estou a dizer que, quando dois drones são abatidos no deserto e caem sem causar danos, não é necessário destruir edifícios em Beirute", declarou. "Podiam agir melhor. E, francamente, podiam fazer um trabalho melhor."

Trump afirmou ainda sentir-se "muito triste pelo Líbano" e elogiou o passado do país, descrevendo-o como uma sociedade que durante décadas foi um centro de excelência em várias áreas.

"Era uma cultura incrível, talvez a mais elevada do Médio Oriente durante anos e anos, séculos. E, nos últimos 50 ou 60 anos, foi devastada. Têm vivido num inferno", afirmou.

Questionado sobre o ataque norte-americano a uma escola primária em Minab, no início da guerra com o Irão, que terá provocado a morte de 152 pessoas, a maioria crianças e professores, Trump disse que o caso continua a ser investigado. Quando confrontado com a possibilidade de alguém da administração ser responsabilizado, respondeu que "ninguém fez isso de propósito".

"Erros acontecem. A guerra é brutal", declarou.

Trump contrapôs ainda com acusações a Teerão. "E quanto aos milhares de soldados que eles fizeram explodir quando abriram a porta do carro? E quanto às milhares de pessoas mortas pelo Irão?".

 

Fonte: TVI

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