Maputo, 5 Ago (AIM) – A Faculdade de Ciências Sociais e Filosofia (FCSF) da Universidade Pedagógica de Maputo (UP-Maputo) pretende afirmar-se como uma referência regional em investigação, inovação e pensamento crítico, reforçando a produção científica, a internacionalização e a capacidade de responder aos desafios da sociedade contemporânea.
O objectivo foi apresentado hoje, em Maputo, pelo director da Faculdade, Bernardino Feliciano, durante as celebrações do 40.º aniversário da instituição, subordinadas ao lema “40 anos a construir o futuro pelo conhecimento”.
“Queremos afirmar a Faculdade como uma referência regional em Ciências Sociais e Filosofia, espaço de revitalização do pensamento crítico e de reflexão sobre os grandes dilemas contemporâneos”, afirmou.
Segundo Feliciano, a concretização desta visão passa pelo fortalecimento da investigação interdisciplinar, criação de novos cursos e programas de pós-graduação, reforço da inovação e da extensão universitária, bem como pela intensificação da cooperação internacional.
O director apontou a transformação digital e a inteligência artificial como alguns dos principais desafios do ensino superior, defendendo a revisão das práticas pedagógicas e científicas para responder às novas exigências.
Sublinhou ainda a necessidade de consolidar uma cultura institucional assente no mérito, integridade e compromisso colectivo, advertindo que “quando prevalecem lógicas de bloqueio ou fragmentação interna, perde a faculdade, perde a universidade e perde a sociedade”.
Na mesma cerimónia, o professor Bento Rupia traçou a evolução das Ciências Sociais em Moçambique, destacando o processo de construção do pensamento social e científico nacional desde a independência.
Segundo o académico, este percurso foi marcado pela institucionalização da investigação, pelo surgimento de escolas de pensamento e pelo contributo de várias gerações de investigadores para a compreensão da realidade moçambicana.
Rupia destacou o papel da Sociologia, Filosofia e História na análise de questões como identidade, desigualdades, democracia, conflitos, poder e desenvolvimento, defendendo que as Ciências Sociais devem produzir conhecimento enraizado na realidade nacional.
“A nossa missão é gerar conhecimento endógeno. Temos de usar os métodos globais, incluindo as novas metodologias digitais, para estudar os nossos problemas locais, as nossas migrações, a nossa pobreza, o impacto do modo de produção neoliberal e as dinâmicas do nosso poder político”, afirmou.
Acrescentou que a agenda actual das Ciências Sociais deve integrar temas como a desigualdade, insegurança económica, fragmentação social, perda de confiança nas instituições, alterações climáticas, migrações e transformação tecnológica.
Referindo-se à digitalização e à inteligência artificial, alertou que estas estão a alterar as formas de comunicação, participação política, construção da identidade e produção do conhecimento.
“A tecnologia pode ser um aliado ou um instrumento de alienação. Cabe às Ciências Sociais compreender estes fenómenos e ajudar a sociedade a posicionar-se criticamente perante estas mudanças”, disse.
Rupia defendeu igualmente que a universidade deve preservar a sua função crítica, entendida como capacidade de análise e interpretação da realidade.
“A crítica não é dizer mal. Crítica significa análise. As Ciências Sociais dão-nos ferramentas para pensar a democracia, a reconciliação, o sujeito e a sociedade com os nossos próprios conceitos”, explicou.
O académico considerou, por fim, que a celebração dos 40 anos da Faculdade deve marcar o início de uma nova etapa de afirmação académica e científica.
“A celebração não é um motivo para nos sentarmos, mas para nos pormos de pé, olharmos para as raízes que foram plantadas e para o horizonte global que nos desafia”, concluiu.
(AIM)
SNN/pc
Fonte: aimnews


