Resumo
O político moçambicano Venâncio Mondlane denunciou o assassinato de 56 membros do seu projeto político, convocando um minuto de silêncio e protestos contra as mortes. Os ataques incluem agressões e queima de casas, totalizando 436 casos no partido Anamola. O último assassinato foi de Anselmo Vicente, coordenador do partido no Chimoio, morto a tiro após uma reunião partidária. Mondlane declarou que estes ataques são uma resposta à força do seu partido e convocou três dias de luto, pedindo protestos pacíficos. O político apelou a um minuto de silêncio, entoação do hino nacional e buzinas como forma de repúdio contra a perseguição e assassinatos. Mondlane dedicou o protesto às vítimas da injustiça e ditadura no país.
“Ao todo, estamos a contar agora Anselmo [Vicente, coordenador do partido no Chimoio], 56 membros do Anamola brutalmente assassinados pelas Forças de Defesa e Segurança. Casos de violência desde agressões, queima de casas e outro tipo de situações temos registados 436 casos no partido Anamola”, denunciou o ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, em direto na sua página do Facebook.
O último caso de assassinato de um membro do partido Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (Anamola), fundado e lançado em agosto por Venâncio Mondlane, candidato presidencial em 2024 e principal contestatário da governação em Moçambique, aconteceu na noite do sábado, quando Anselmo Vicente, coordenador do partido no Chimoio, centro do país, foi atingido mortalmente a tiro.
A polícia confirmou o crime, explicando que o dirigente foi morto quando “regressava de uma reunião partidária” naquela cidade, juntamente com outro membro do Anamola.
Venâncio Mondlane disse esta segunda-feira que estes assassinatos são em resposta “à aceitação e força brutal” que o seu partido Anamola tem, incluindo uma base social “extremamente forte”, indicando que a sua formação política está disposta a fazer uma luta “livre, justa e pacífica” na política moçambicana.
Face à morte do coordenador do seu projeto no Chimoio, Mondlane convocou três dias de luto a partir de terça-feira, pedindo que, no primeiro dia, todos se vistam com roupas de cor preta, em protesto.
Mondlane apelou ainda a um minuto do silêncio a partir das 13h00 locais (menos uma hora em Lisboa) aos simpatizantes do seu partido e aos moçambicanos, frisando que não é para ser uma marcha de rua, mas “uma manifestação pacífica e silenciosa”.
A seguir, o ex-candidato presidencial quer que se avance com a entoação do hino nacional de mãos dadas, culminando com buzinas dos transportadores, entre apitos e vuvuzelas, insistindo que é para ser “um protesto pacífico” e “sem distúrbio”.
“Nós moçambicanos temos que começar a mostrar e dizer um basta a isto, isto não pode continuar assim, mas vamos fazer tudo pacificamente. Amanhã começamos os três dias de luto nacional (…) o dia inteiro. Queremos convocar a nível nacional para todos mostrarmos repúdio a essa perseguição, esses assassinatos, esse Governo que se tornou de perseguição”, apelou Mondlane. E acrescentou: “Vamos dedicar isto a todos os moçambicanos que tombaram por causa da injustiça, da ditadura e assassinatos feitos pelo regime”.
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Fonte: Observador





