Foi uma das imagens da histórica campanha de Cabo Verde no Mundial 2026. Seguro entre os postes, corajoso fora da área e sempre confortável com a bola nos pés, Vozinha confirmou em campo aquilo que os números agora reforçam: esteve entre os melhores guarda-redes da competição.
Os dados do Sofascore, parceiro estatístico do Maisfutebol, colocam o experiente guardião cabo-verdiano entre a elite dos 52 guarda-redes utilizados no Mundial, destacando-se sobretudo pela consistência exibicional e pela influência em diferentes momentos do jogo.
A classificação média de 7,88 atribuída pelo Sofascore é, por si só, um reflexo da qualidade do torneio realizado por Vozinha. O guarda-redes termina no terceiro lugar do ranking geral da posição, apenas atrás de dois colegas de profissão, um feito notável para quem representou uma seleção estreante em Campeonatos do Mundo.
Esse rendimento foi construído ao longo de uma campanha em que Cabo Verde surpreendeu o mundo do futebol, ultrapassando a fase de grupos sem derrotas frente a Espanha, com uma enorme exibição, Uruguai e Arábia Saudita, antes de só cair diante da campeã mundial Argentina, após prolongamento, por 3-2.
Entre os indicadores defensivos, Vozinha terminou em sexto em defesas por jogo (4,50) e foi também sexto no que toca a defesas realizadas dentro da área (três por encontro), confirmando a importância que teve para manter Cabo Verde competitivo perante adversários teoricamente de maior qualidade.
Conseguiu ainda manter a baliza inviolada em dois jogos, registo que lhe vale o quarto lugar entre todos os guarda-redes que participaram até ao momento no torneio. Mas a influência do veterano não se limitou às intervenções entre os postes.
Num futebol cada vez mais exigente para os guarda-redes na construção, Vozinha respondeu igualmente em posse. Registou uma média de 6,5 bolas longas certas por jogo, suficiente para ocupar o sexto lugar nesta estatística, demonstrando qualidade na primeira fase de construção e capacidade para ligar rapidamente a equipa ao ataque.
Ainda mais impressionante foi a segurança nas saídas da baliza. Com 11,8 bolas recuperadas por jogo, liderou mesmo esta métrica entre todos os guarda-redes do Mundial, evidenciando uma leitura de jogo de alto nível e uma constante disponibilidade para controlar a profundidade.
Também nas saídas para agarrar a bola (1,5 por jogo) terminou no quarto lugar da competição.
Há, porém, um dado que ajuda a explicar porque Vozinha chamou tantas vezes a atenção durante o torneio.
O cabo-verdiano terminou no quarto lugar em relação aos dribles bem-sucedidos, com uma média de 0,23 por encontro. Um número invulgar para a posição e que espelha a confiança com que assumiu a bola nos pés, atraindo pressão antes de encontrar soluções para iniciar a construção da equipa de Bubista.
Foi uma imagem repetida ao longo do Mundial: serenidade para sair a jogar e personalidade para não abdicar da identidade de jogo da seleção cabo-verdiana, mesmo perante a pressão.
Aos 40 anos e atualmente sem clube, Vozinha despediu-se do Mundial com um cartão de visita difícil de ignorar. A campanha histórica de Cabo Verde teve no experiente guarda-redes um dos seus grandes rostos. Mesmo sem contrato para a próxima época, o «tubarão das balizas» mostrou que continua capaz de competir ao mais alto nível.

Fonte: TVI





