InícioInternacionalAtaques com drones são principal causa de mortes na guerra no Sudão

Ataques com drones são principal causa de mortes na guerra no Sudão

Resumo

Ataques com drones armados causaram mais de 80% das mortes de civis na Guerra do Sudão, totalizando pelo menos 880 óbitos entre janeiro e abril. O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos alertou para o risco de escalada do conflito se medidas imediatas não forem tomadas. Os ataques atingiram 40 locais civis, com a maioria das mortes na província de Cordofão. A utilização crescente de drones alterou a dinâmica do conflito entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido, com impacto nas deslocações forçadas de civis e no apoio humanitário. O aumento da insegurança alimentar é uma preocupação, com apelos à proibição da transferência de armas, incluindo drones, e à proteção dos civis contra violações de direitos humanos.

Ataques com drones armados foram responsáveis por mais de 80% das mortes de civis na Guerra do Sudão. O número equivale a pelo menos 880 óbitos entre janeiro e abril deste ano.

O alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Volker Türk, disse que se nenhuma medida for tomada imediatamente, este conflito corre o risco de entrar numa nova fase, ainda mais mortífera.

Ataques atingem 40 espaços civis

A maioria das mortes de civis atribuídas ocorreu na província central de Cordofão. 

Os ataques a infraestruturas e alvos civis, como mercados e instalações de saúde têm se repetido frequentemente.

O uso crescente destes veículos aéreos não tripulados veio alterar a dinâmica do conflito entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido, RSF, que perdura há quatro anos.

As características únicas dos drones permitem a continuidade das hostilidades, mesmo perante eventos climáticos severos. É o caso da aproximação da época das chuvas, que correspondia a um período de tréguas nos últimos anos do conflito, como lembra Volker Türk. 

O Sudão continua sendo a maior crise de deslocamento do mundo
© OIM/Muse Mohammed
O Sudão continua sendo a maior crise de deslocamento do mundo

Receio de hostilidades na capital

A diversificação geográfica dos ataques agrava as deslocações forçadas de civis e a disrupção generalizada do apoio humanitário. 

Para Turk, a intensidade destes ataques destruiu a relativa calma que prevaleceu nos últimos meses, numa altura em que um número crescente de civis regressava à capital — e desencadeou receios de um regresso das hostilidades a Cartum, a capital do Sudão.

Assistência humanitária em risco 

O agravamento das hostilidades numa vasta faixa do território sudanês piora o risco de insegurança alimentar aguda, impulsionado pela escassez de fertilizantes devido à crise no Golfo.

Face ao recurso à violência como "tática preferencial" entre as forças beligerantes, o chefe dos direitos humanos da ONU apelou à adoção de medidas robustas para impedir a transferência de armas para o Sudão, incluindo drones armados.

O responsável frisou ainda a necessidade de proteção dos civis por ambas as partes, o que inclui a sua deslocação segura para fora das zonas de combate. Acrescentou também a necessidade de proteção contra represálias, incluindo execuções sumárias, violência sexual, detenções arbitrárias e raptos.

Fonte: ONU

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Agência da ONU reforça que é definitivamente necessário que proprietários e operadores de navios apliquem rigorosamente as melhores práticas

Com segurança no mar em pauta, OMI alerta para crises em...

0
Londres é palco da 111ª sessão do Comitê de Segurança Marítima da OMI, destacando desafios globais nos mares, com foco na gestão de crises humanitárias e...
- Advertisment -spot_img