Resumo
Os preços do petróleo caíram devido à expectativa de um possível acordo diplomático entre os EUA e o Irão, com o Brent a descer para 110,40 dólares por barril e o WTI para 103,48 dólares. A pressão descendente nos preços surge com sinais de distensão diplomática e prudência dos investidores face à incerteza do conflito. Apesar de progressos nas negociações, a normalização do mercado é improvável a curto prazo, segundo Emril Jamil, analista sénior de petróleo da LSEG. A volatilidade das mensagens da Casa Branca mantém a incerteza, com Trump admitindo a possibilidade de um novo ataque ao Irão. O mercado petrolífero permanece sensível a ameaças nos fluxos de abastecimento do Golfo Pérsico, com o Estreito de Ormuz a operar abaixo da capacidade habitual. Esta situação levanta preocupações sobre a sustentabilidade da oferta global, com países a recorrer às reservas para compensar défices temporários.
O Brent, referência para os mercados internacionais, caiu 0,8%, negociando nos 110,40 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) recuou 0,6%, para 103,48 dólares. A tendência reflecte uma combinação entre sinais de distensão diplomática e a contínua prudência dos investidores face à imprevisibilidade do conflito e aos riscos persistentes para o abastecimento energético mundial.
A pressão descendente sobre os preços surgiu após declarações do Vice-Presidente norte-americano, JD Vance, indicando progressos nas negociações entre Washington e Teerão, numa altura em que ambas as partes procuram evitar o reacender das hostilidades militares. Ainda assim, o mercado continua longe de assumir que o risco geopolítico tenha desaparecido.
Segundo Emril Jamil, analista sénior de petróleo da LSEG, citado pela Reuters, os preços recuaram devido às expectativas em torno de um possível entendimento diplomático, mas a normalização plena do mercado continua improvável no curto prazo. “Mesmo que um acordo seja alcançado, a oferta dificilmente regressará rapidamente aos níveis pré-guerra”, observou.
A volatilidade das mensagens vindas da Casa Branca continua igualmente a alimentar a incerteza. Apesar de Trump afirmar que o conflito poderá terminar rapidamente, o próprio Presidente norte-americano admitiu recentemente que os EUA poderão voltar a atacar o Irão caso não seja alcançado um entendimento nos próximos dias. O líder norte-americano revelou ainda que esteve “a uma hora” de ordenar um novo ataque antes de suspender a decisão, após uma nova proposta apresentada por Teerão.
Esta ambiguidade estratégica está a ser acompanhada atentamente pelos investidores, sobretudo porque o mercado petrolífero permanece extremamente sensível a qualquer ameaça sobre os fluxos de abastecimento provenientes do Golfo Pérsico.
O Estreito de Ormuz — uma das principais artérias do comércio energético global — continua a operar abaixo da capacidade habitual. Embora dois superpetroleiros chineses tenham conseguido abandonar a região transportando cerca de quatro milhões de barris de crude do Médio Oriente, o volume total de embarcações que atravessam o corredor marítimo permanece significativamente inferior à média de aproximadamente 130 navios registada antes do conflito.
O cenário reforça receios quanto à sustentabilidade da oferta global, sobretudo num contexto em que vários países já começaram a recorrer às suas reservas estratégicas e comerciais para compensar os défices temporários de abastecimento.
Nos Estados Unidos, os dados preliminares do American Petroleum Institute (API) apontam para uma queda das reservas de crude pela quinta semana consecutiva, enquanto os stocks de combustíveis também recuaram. Analistas consultados pela Reuters estimam que os dados oficiais da Energy Information Administration (EIA) possam indicar uma redução adicional de cerca de 3,4 milhões de barris na semana terminada a 15 de Maio.
A persistência destas quedas nas reservas comerciais reforça a percepção de um mercado ainda relativamente apertado, apesar das recentes oscilações de preços.
Num sinal de que algumas instituições financeiras continuam a antecipar riscos significativos para a oferta global, o Citi indicou esta semana que o Brent poderá atingir 120 dólares por barril no curto prazo. O banco norte-americano considera que o mercado poderá estar a subavaliar o risco de uma interrupção prolongada da produção e os chamados “tail risks” associados à escalada geopolítica na região.
Para economias importadoras líquidas de combustíveis, como Moçambique, a manutenção de preços elevados do petróleo poderá continuar a exercer pressão sobre os custos de transporte, inflação importada, balança de pagamentos e estabilidade cambial, num momento em que vários países africanos enfrentam desafios acrescidos de consolidação macroeconómica e gestão fiscal.
Fonte: O Económico






