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Reservas Mundiais De Petróleo Caminham Para Mínimos De Duas Décadas E Pressionam Preços Globais

Resumo

Reservas globais de petróleo estão a diminuir rapidamente devido à perda de produção no Médio Oriente, podendo atingir os níveis mais baixos em duas décadas, alerta a EIA. A escassez é resultado de perturbações no Estreito de Ormuz devido ao conflito com o Irão. A EIA prevê preços médios do Brent a rondar os US$ 105 por barril nos próximos meses, devido à redução das reservas. Esta situação, vulnerável a choques geopolíticos, pode levar a uma diminuição da procura global de petróleo em 2026, revertendo previsões anteriores de crescimento. Seria a primeira redução anual desde 2020, de acordo com a EIA.

As reservas mundiais de petróleo estão a ser consumidas a um ritmo sem precedentes e poderão atingir os níveis mais baixos das últimas duas décadas, num contexto marcado pela prolongada disrupção dos fluxos energéticos provenientes do Médio Oriente.

O alerta foi lançado pela Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), que, segundo a Reuters, prevê que os stocks de petróleo dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) recuem para menos de 2,3 mil milhões de barris até ao final deste ano. Trata-se do nível mais baixo desde que a instituição começou a compilar estes dados, em 2003.

Segundo a EIA, a rápida redução das reservas resulta da necessidade de compensar a perda de aproximadamente 11 milhões de barris por dia de produção no Médio Oriente, consequência directa das perturbações associadas ao conflito envolvendo o Irão e das limitações persistentes à circulação marítima no Estreito de Ormuz. A informação foi divulgada no relatório mensal Short-Term Energy Outlook e reproduzida pela Reuters.

O cenário preocupa os mercados porque o Estreito de Ormuz continua a ser uma das mais importantes artérias energéticas do planeta, sendo responsável pelo trânsito de cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito comercializados globalmente.

Mercado Prepara-Se Para Nova Pressão Sobre Os Preços

A EIA considera que a contínua redução das reservas cria as condições para uma nova escalada dos preços internacionais do petróleo.

Segundo a Reuters, a agência norte-americana prevê que o Brent, referência internacional para os mercados petrolíferos, registe preços médios próximos de US$ 105 por barril durante os meses de Junho e Julho, significativamente acima das cotações observadas nos mercados futuros.

“Devido à magnitude da redução das reservas globais, prevemos que os preços do petróleo permaneçam elevados até que os fluxos internacionais regressem à normalidade e os stocks sejam reconstituídos”, refere a EIA, citada pela Reuters.

Para os analistas, a situação demonstra que o actual equilíbrio do mercado petrolífero permanece extremamente vulnerável a choques geopolíticos, sobretudo numa altura em que a capacidade excedentária disponível em várias regiões produtoras continua limitada.

Procura Mundial Pode Recuar Pela Primeira Vez Desde A Pandemia

Paradoxalmente, a mesma crise que está a pressionar os preços poderá provocar uma redução da procura global.

Segundo a Reuters, a EIA reviu significativamente as suas previsões e passou a estimar uma contracção da procura mundial de petróleo em cerca de 1,1 milhões de barris por dia durante 2026, invertendo uma previsão anterior que apontava para crescimento do consumo.

Caso a projecção se confirme, será a primeira redução anual da procura mundial desde 2020, ano marcado pelos impactos económicos da pandemia da Covid-19.

A agência norte-americana considera que os elevados preços dos combustíveis, a menor disponibilidade de oferta e as medidas de conservação energética adoptadas por diversos governos deverão contribuir para travar o crescimento do consumo.

Nova Escalada Militar Volta A Agitar Os Mercados

Ao mesmo tempo, novos desenvolvimentos militares voltaram a aumentar a tensão nos mercados energéticos.

Segundo a Reuters, os preços do petróleo recuperaram após os Estados Unidos terem lançado novos ataques contra alvos iranianos, na sequência do abate de um helicóptero militar norte-americano. O episódio aumentou os receios de uma deterioração do já frágil cessar-fogo entre Washington e Teerão.

A reacção dos mercados foi imediata. Os investidores voltaram a incorporar um prémio de risco geopolítico nas cotações, antecipando potenciais novas interrupções no abastecimento global.

Analistas da consultora ING, citados pela Reuters, alertam que a manutenção das actuais perturbações durante o terceiro trimestre poderá gerar novas pressões altistas, precisamente num período em que a procura sazonal por combustíveis tende a aumentar.

Estados Unidos Também Sentem Pressão Sobre As Reservas. A tensão não se limita aos mercados internacionais.

Dados do American Petroleum Institute (API), citados pela Reuters, mostram que as reservas comerciais de petróleo dos Estados Unidos caíram pela oitava semana consecutiva, registando uma redução superior a nove milhões de barris apenas na última semana reportada.

As reservas de gasolina também diminuíram, reflectindo a forte procura interna e o aumento das exportações norte-americanas para mercados da Europa e da Ásia, que procuram compensar as perdas de abastecimento provenientes do Médio Oriente.

Este cenário reforça a percepção de que o mercado petrolífero global está a operar com margens de segurança cada vez mais reduzidas, tornando-se particularmente sensível a qualquer novo choque geopolítico ou interrupção logística.

Num contexto em que os stocks mundiais se aproximam dos níveis mais baixos em mais de vinte anos, a evolução do conflito envolvendo o Irão e o futuro da navegação no Estreito de Ormuz continuarão a ser factores decisivos para a trajectória dos preços energéticos e para a estabilidade da economia global nos próximos meses.

Fonte: O Económico

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