InícioRevistaTecnologiaPainéis solares “sem investimento inicial”: Faz sentido?

Painéis solares “sem investimento inicial”: Faz sentido?

Se andas atento, sabes perfeitamente que a febre da transição energética está ao rubro em Portugal. Dito tudo isto, com as faturas da luz a subirem de forma sufocante, é perfeitamente normal que comeces a olhar para o telhado com outros olhos. É precisamente a boleia desta necessidade que tem feito disparar uma oferta comercial muito agressiva no mercado. A promessa de instalar painéis solares na tua casa a “custo zero” e sem qualquer investimento inicial.

A proposta parece saída de um conto de fadas, mas, como sempre, ninguém dá nada a ninguém.

O primeiro grande pormenor que tens de perceber é que o termo “sem investimento inicial” é uma rasteira de marketing.

O que a grande maioria das empresas faz nestes moldes é um contrato de renting, prestação de serviços ou Bairro Solar a longo prazo. Tudo isto muitas vezes esticado por 10, 15 ou 20 anos.

Não pagas nada no primeiro dia, é verdade, mas ficas contratualmente obrigado a pagar uma mensalidade fixa ou a comprar a energia gerada pelos teus próprios painéis a um preço estipulado pela empresa. No final desse calvário de anos, os painéis passam finalmente para o teu nome, mas nessa altura o hardware já estará desatualizado e com uma eficiência degradada pelo tempo.

painel solar

Além disso, há aqui um problema estrutural que muita gente ignora: o perfil de consumo.

Se a tua família passa o dia fora de casa, a trabalhar ou nas aulas, os teus painéis vão estar a produzir eletricidade no pico do sol para uma casa vazia. Podes estar a gastar essa energia em alguns equipamentos como arcas, frigoríficos, etc… Mas, a grande maioria da energia capturada volta para a rede a custo zero.

Ou seja, sem baterias para armazenar essa energia, o excedente é injetado diretamente na rede elétrica nacional a custo quase zero. O resultado? Estás a pagar mensalidades de um hardware para dares eletricidade de borla ao mercado, enquanto à noite, quando chegas a casa e realmente ligas os eletrodomésticos, continuas a pagar a fatura completa à tua operadora.

As grandes fornecedoras de energia e as empresas que apostam nestes pacotes “chave na mão” cobram uma margem brutal pelo serviço. Há relatos frequentes de utilizadores que, ao fazerem as contas ao fim do contrato, percebem que pagaram por um sistema simples o triplo do que custaria uma instalação independente feita por um técnico certificado da região. Para além disso, ficas preso a serviços pós-venda que muitas vezes deixam muito a desejar quando as coisas falham.

Dito tudo isto, se tens familiares que se deixaram levar pela conversa bonita de um comercial à porta e assinaram um contrato destes há menos de 14 dias, há uma linha de salvação. A lei portuguesa é muito clara neste aspeto: qualquer contrato assinado fora de um estabelecimento comercial (as chamadas vendas à porta ou à distância) beneficia de um período de reflexão e arrependimento de 14 dias seguidos. Basta enviar uma carta registada com aviso de receção para a empresa a rescindir o contrato sem ter de dar qualquer justificação e sem qualquer penalização financeira.

Se queres realmente poupar na luz com energia solar, o meu conselho é fugires destas soluções milagrosas. Pede orçamentos a instaladores locais independentes, compara o custo por Watt de potência (o rácio €/Wp) e, se o teu orçamento permitir, investe num sistema com bateria. Só assim garantes que a energia gerada pelo sol serve para alimentar a tua casa e não para engordar as contas das grandes empresas.

 

Fonte: Zero Zero

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