Temperaturas abaixo da média, céu mais cinzento e pouca chuva. É este o cenário esperado para Portugal nos próximos dias, segundo o especialista em climatologia da CNN Portugal, Mário Marques. Apesar de algumas previsões apontarem para precipitação em várias regiões do país, o climatologista considera que, a confirmar-se, será muito localizada e insuficiente para aliviar a seca meteorológica que já afeta alguns distritos.
"Penso que a precipitação, a acontecer, será muito localizada, muito esporádica e muito fraca. Não vejo condições atmosféricas para que tal venha a acontecer, mas gostava de estar enganado", afirmou.
O especialista recorda que Portugal acumula vários meses com precipitação abaixo da média. "Já temos alguns distritos portugueses em seca meteorológica, uma vez que desde 1 de março até agora foi sempre abaixo da média, quer em número de dias de chuva, quer na quantidade de precipitação, especialmente em março, abril e grande parte de maio", explicou.
Apesar da ausência de chuva significativa, o país deverá registar temperaturas mais amenas nos próximos dias. Segundo Mário Marques, os termómetros vão manter-se abaixo da média, sobretudo no Norte.
"As temperaturas continuarão abaixo da média nos próximos três ou quatro dias, especialmente a norte do território. Nas restantes regiões estarão perto da média, pelo menos até ao dia 16, com tempo mais cinzento devido à depressão que temos a oeste do continente", adiantou.
Enquanto Portugal deverá manter um cenário relativamente estável, o mesmo não acontecerá em vários países europeus. O climatologista prevê uma nova onda de calor em Espanha, França, Itália e outras zonas do continente.
"Para Portugal penso que não, pelo menos até ao final da última semana de julho. A partir dos dias 23 ou 24 poderá surgir uma nova onda de calor, mas até lá penso que não", referiu.
Já para a Europa Ocidental, o cenário será diferente. "O centro-oeste de Espanha poderá sofrer a projeção de ar quente, que depois se irá propagar para França e sobretudo para o Mediterrâneo, incluindo a Sardenha, a Sicília e regiões de Itália. Também poderá atingir a Suíça e o Reino Unido", explicou.
Mário Marques considera que esta nova vaga de calor será menos extensa do que a registada no final de junho, mas poderá voltar a ser muito intensa em algumas regiões.
"Teremos uma nova onda de calor para a Europa Ocidental, mais restrita em termos geográficos, mas não deixará de ser intensa, ou muito intensa, no Mediterrâneo Central", afirmou.
O especialista acredita que o mecanismo responsável por esta nova subida das temperaturas será semelhante ao da anterior onda de calor, provocada por uma chamada "cúpula de calor".
Segundo explicou, este fenómeno ocorre quando uma massa de ar muito quente, proveniente do Norte de África, fica "presa" entre sistemas de baixa pressão, impedindo a sua deslocação.
"É muito semelhante ao que aconteceu na última semana de junho. O ar quente fica sitiado entre dois sistemas de baixa pressão e não tem para onde fluir. Fica preso sobre uma vasta área durante vários dias, sem movimento significativo da massa de ar", explicou.
Ainda assim, deixa uma nota de tranquilidade para Portugal. "Para Portugal não irá ser de certeza, pelo menos nos próximos dez dias. Poderá haver algumas oscilações de temperatura, mas nada de substancial e nada comparado com a onda de calor que tivemos no final de junho", concluiu.
Fonte: TVI




