Por: Alfredo Júnior
O Governo reafirmou o compromisso de reforçar o investimento na ciência, investigação e inovação como pilares para o fortalecimento do Sistema Nacional de Saúde, defendendo que o conhecimento produzido no país deve traduzir-se em políticas públicas mais eficazes e em soluções sustentáveis para os principais desafios sanitários. A posição foi expressa pela primeira-ministra, Benvinda Levi, durante as celebrações dos 30 anos do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), realizadas esta quarta-feira, em Manhiça, província de Maputo.
Representando o Presidente da República, Daniel Chapo, que se encontra em visita oficial a Portugal, Benvinda Levi sublinhou que a investigação científica deve assumir um papel central na formulação de políticas públicas, sobretudo num contexto em que Moçambique continua a enfrentar desafios relacionados com doenças infecciosas, saúde materno-infantil, nutrição, resistência antimicrobiana e os impactos das alterações climáticas na saúde. A governante defendeu igualmente o reforço da ligação entre universidades, centros de investigação e instituições públicas, de modo a garantir que a evidência científica seja incorporada na tomada de decisões.
Criado em 1996, o CISM é hoje uma das mais importantes instituições de investigação biomédica em África. Ao longo de três décadas, o centro consolidou-se como uma referência internacional na investigação sobre malária, tuberculose, VIH/SIDA, doenças bacterianas invasivas, saúde materna e infantil, saúde sexual e reprodutiva e estudos populacionais. Além da produção científica, o CISM tem desempenhado um papel relevante na formação de investigadores moçambicanos e no fortalecimento da capacidade nacional de investigação.
Grande parte das recomendações produzidas pelo centro contribuiu para a actualização de estratégias nacionais de controlo da malária e de outras doenças transmissíveis. A instituição participou em ensaios clínicos internacionais sobre vacinas contra a malária e em estudos epidemiológicos que ajudaram o Ministério da Saúde e organismos internacionais a definir políticas de prevenção, diagnóstico e tratamento.
Especialistas em saúde pública consideram que o fortalecimento da investigação científica é particularmente importante para países como Moçambique, onde persistem elevadas taxas de doenças infecciosas e limitações na cobertura dos serviços de saúde. A produção de dados locais permite compreender melhor a realidade epidemiológica nacional e desenvolver intervenções mais adaptadas às necessidades das comunidades, reduzindo a dependência de estudos produzidos noutros contextos.
A aposta do Executivo enquadra-se também nas prioridades definidas pelo Presidente Daniel Chapo, que tem defendido a valorização do conhecimento, da inovação e da formação de capital humano como instrumentos para acelerar o desenvolvimento sustentável do país. Em diferentes intervenções públicas, o Chefe do Estado sublinhou que a investigação e o ensino superior devem contribuir para resolver problemas concretos da sociedade e reforçar a competitividade nacional.
Apesar dos avanços alcançados, o sector científico moçambicano continua a enfrentar desafios relacionados com o financiamento, a retenção de investigadores, a modernização dos laboratórios e a expansão da investigação para outras áreas prioritárias, incluindo doenças não transmissíveis, saúde mental e impactos das alterações climáticas na saúde. Organizações internacionais defendem que o reforço do investimento em ciência é essencial para aumentar a capacidade de resposta dos sistemas de saúde e preparar os países para futuras emergências sanitárias.
Ao assinalar os 30 anos de actividade do CISM, o Governo destacou que a consolidação de um ecossistema nacional de investigação robusto será determinante para produzir conhecimento de qualidade, apoiar a inovação médica e melhorar a prestação de cuidados de saúde à população, transformando a ciência num instrumento efectivo de desenvolvimento nacional.




