Esta manhã os adeptos da seleção francesa foram surpreendidos com uma mensagem de Kylian Mbappé publicada em vários jornais franceses. O avançado de 27 anos que guiou a seleção gaulesa no Mundial 2026 recorreu à imprensa nacional para deixar uma carta aberta na qual fez uma retrospetiva do torneio e agradeceu todo o apoio demonstrado.
«Obrigada. Um mês de emoções. De ultrapassar limites. De orgulho em vestir as cores de França», começou por escrever.
«De paixão, acima de tudo, a mesma que nos impulsiona em campo e que impulsiona a vocês, diante do ecrã e das bancadas. Foi isto que vivemos juntos, uma história incrível», continuou.
Mbappé, que saiu do Mundial como o melhor marcador da competição com dez golos, não escondeu a desilusão em deixar escapar o segundo título mundial e sublinhou que o bota de ouro conquistada não lhe pertence apenas a ele, e que é reflexo do trabalho coletivo.
«Não trouxemos um troféu para casa. Dói e vai continuar a doer durante um tempo, não vou mentir».
«Obrigado aos meus companheiros de equipa. Sem o trabalho deles, as corridas, os passes, sem este espírito de equipa que nos levou do primeiro ao último jogo, nunca teria conseguido marcar tantos golos. Este título pertence tanto à equipa quanto a mim», referiu.
O avançado francês partilhou ainda o orgulho de ter liderado a seleção na sua terceira participação, o que foi para ele muito mais do que tinha sonhado..
«Em criança, sonhava jogar um Campeonato do Mundo, pelo menos um. Joguei três, ganhei uma e, este ano, tive o orgulho de competir com a braçadeira de capitão. Nunca me esquecerei disso».
O capitão da seleção gaulesa fez questão de deixar um agradecimento especial aos adeptos, que foram incansáveis durante a participação da equipa na competição.
«Vocês ficavam acordados até tarde, às vezes até de madrugada, dependendo do fuso horário, para nos verem jogar do outro lado do mundo; reuniam-se em casa, em bares, com a família ou amigos, por toda a França e não só. Outros estavam ali connosco, nos estádios, com bandeiras sobre os ombros. Crianças com os olhos a brilhar, homens e mulheres de todas as origens e gerações, unidos pelo mesmo prazer: o da partilha. Esse é o poder deste desporto», começou por destacar.
«Vocês nunca nos desiludiram, nem nos momentos mais difíceis, nem quando menos merecíamos. Esta história, escrevemo-la com milhões de mãos, não apenas com onze em campo, movidos pelo mesmo fervor», continuou.
De fora desta carta não ficou o agora ex-selecionador Francês, Didier Deschamps, a quem antes do último jogo, com a Inglaterra, Mbappé fez questão de deixar uma mensagem de despedida, e a equipa técnica.
«Ao Didier, já disse o que tinha a dizer, ele sabe. Obrigado a ele, e toda a sua equipa, fisioterapeutas, cozinheiros, preparadores físicos, motoristas, todos aqueles que ninguém vê e sem os quais nada disto seria possível».
O capitão francês terminou a mensagem num tom otimista e com uma partilha do que este desporto, o futebol, significa por ele.
«O futebol, na sua essência, continua a ser um jogo que levamos a sério. Um jogo no qual trabalhamos ao longo de toda a vida para o tentar dominar, mas que, ainda assim, é um jogo com as suas regras simples que não mudaram desde que começámos a jogar: a bola, a baliza e a vontade de marcar».
«O Mundial terminou, mas a história continua. Haverá outros jogos, outras noites de verão ou de inverno, nas quais nos voltaremos a encontrar todos diante deste mesmo jogo, com a mesma vontade inesgotável. Não terminámos de jogar juntos. Obrigado por tudo», concluiu.
O avançado interrompeu as férias para deixar esta mensagem e fazer o primeiro pronunciamento após o final da competição, antes de regressar ao Real Madrid, onde estará sob as ordens de José Mourinho.
Fonte: CNN Portugal





