Compras um ambientador novo para o carro, cheira maravilhosamente durante uns dias e, de repente, deixas de o sentir. No inverno parecia durar semanas; agora, em pleno agosto, some-se num instante. Não é impressão tua nem má qualidade do produto. Há uma explicação simples, e tem tudo a ver com o calor. Mas é só por isso que o ambientador do carro dura menos?
Um ambientador de carro funciona por evaporação: os compostos aromáticos vão-se libertando aos poucos para o ar. E, tal como a roupa no estendal seca muito mais depressa num dia quente, esses compostos evaporam bastante mais rápido quando está calor. Resultado: no verão, o teu ambientador esgota-se muito antes do que esgotaria no inverno.

Há ainda um efeito secundário curioso. Uma evaporação mais rápida também torna o cheiro mais intenso no início, parece mais forte, mas precisamente por isso acaba mais cedo. Quanto mais concentrado e potente, mais depressa se gasta.
Se o calor já acelera tudo, o sol direto é o golpe final. Um ambientador pendurado no espelho retrovisor, em cheio ao sol e dentro de um carro que facilmente atinge 50 ou 60 graus, está no pior sítio possível para durar.
A solução é simples: tira-o da linha direta do sol. Em vez da posição clássica no vidro, coloca-o num sítio mais resguardado do habitáculo. Só com isso ganhas dias de vida útil.
A escolha do tipo de ambientador muda muito a conta. As diferenças habituais são estas:
A “arvorezinha” de cartão, a mais barata, é também a que dura menos, muitas vezes cerca de uma semana. Um truque: em vez de a tirar toda da embalagem de uma vez, vai destapando-a aos poucos, para prolongar a vida.
Os modelos de clipe na grelha de ventilação costumam durar até cerca de um mês, embora o uso frequente do ar condicionado, que faz passar mais ar por eles, encurte esse tempo.
Os difusores, mais caros, são os que rendem mais. Assim podem chegar aos dois meses. Muitos permitem regular a intensidade e recarregar, o que dá controlo sobre quanto cheiro libertas de cada vez.
Ou seja, o mais barato à unidade pode sair mais caro ao ano, se andares sempre a substituí-lo.

Há um pormenor de que se fala pouco. Nem todos os ambientadores são iguais na composição: alguns usam ingredientes naturais, outros são feitos de compostos sintéticos. E há estudos, incluindo trabalho referenciado por autoridades de saúde norte-americanas, que apontam que certos ambientadores sintéticos libertam compostos orgânicos voláteis, alguns dos quais classificados como potencialmente perigosos.
Não é motivo para alarme nem para deitar fora o teu, mas é uma boa razão para não exagerar. Num habitáculo pequeno e fechado, com o carro ao sol, faz sentido preferir aromas mais suaves ou de base natural, arejar o carro com regularidade e não acumular vários ambientadores ao mesmo tempo. Se és sensível a cheiros ou tens problemas respiratórios, vale ainda mais a pena ter isto em conta.
Por fim, uma explicação para uma dúvida comum: às vezes o ambientador ainda está a funcionar, mas tu já não o sentes. O nariz habitua-se aos cheiros constantes e deixa de os registar, é a chamada fadiga olfativa. É por isso que um passageiro que entra de novo no teu carro nota o aroma (bom ou mau) que tu já nem reparas. Se tens dúvidas se está na hora de trocar, pergunta a quem entra de fresco.
No verão, a regra é simples: o calor gasta tudo mais depressa. Longe do sol, com o tipo certo e sem exageros, o teu carro continua a cheirar bem sem te obrigar a comprar ambientadores de duas em duas semanas.
Fonte: Zero Zero





