InícioRevistaNacionalComboios transportaram 5,6 milhões de passageiros em 2025

Comboios transportaram 5,6 milhões de passageiros em 2025

Os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) transportaram quase 5,6 milhões de passageiros em 2025, menos 18% que no ano anterior, mas aumentaram em 8% o volume de mercadorias movimentadas na rede ferroviária. Os lucros dos CFM caíram 22,7% em 2025, para 30,9 milhões de euros, reflexo, segundo a empresa, das convulsões pós-eleitorais, escassez de divisas e mais de 100 descarrilamentos.

Segundo o relatório e contas de 2025, a que a Lusa teve acesso esta segunda-feira, os CFM transportaram 5.598.812 passageiros, face aos 6.623.865 no período homólogo, resultado que a empresa associa às paralisações de comboios de passageiros devido a cheias nos corredores sul e centro.

Apesar da quebra no transporte de passageiros, a atividade ferroviária de mercadorias manteve uma trajetória de crescimento. No sistema ferroviário global foram transportadas 29,61 milhões de toneladas, mais 8% do que em 2024, embora abaixo das metas inicialmente definidas pela empresa.

Nas linhas exploradas diretamente pelos CFM, o volume atingiu 14,32 milhões de toneladas, correspondendo a um crescimento anual de 11%.

A empresa pública continua a explorar diretamente as linhas ferroviárias de Ressano Garcia, Limpopo e Goba, na região sul, bem como o sistema ferroviário da Beira, que integra as linhas de Sena, Machipanda e o ramal de Marromeu.

Os CFM operam igualmente as oficinas ferroviárias das regiões sul e centro, além de diversos terminais portuários e infraestruturas não concessionadas ao setor privado.

Na atividade portuária global, os terminais ligados ao sistema CFM movimentaram 68,87 milhões de toneladas métricas de carga em 2025, mais 4% face ao ano anterior.

Por outro lado, nos terminais sob gestão direta dos CFM o movimento caiu 14%, para 13,24 milhões de toneladas.

O relatório refere que a atividade operacional enfrentou dificuldades provocadas pelas convulsões pós-eleitorais, escassez de divisas e 104 descarrilamentos registados durante o ano.

Até dezembro, os CFM empregavam 5.372 trabalhadores, tendo registado a saída de 88 funcionários por reforma e promovido ações de formação para 1.548 colaboradores.

Segundo o relatório e contas de 2025, a que a Lusa teve acesso esta segunda-feira, a empresa registou um resultado líquido de 1.994 milhões de meticais (30,9 milhões de euros), abaixo dos lucros de 2.580 milhões de meticais (40 milhões de euros) alcançados em 2024.

Os CFM referem que o desempenho foi afetado pela “contração da atividade económica no primeiro trimestre devido à insegurança dos agentes económicos, associada às convulsões sociais pós-eleitorais”, caracterizadas, entre outubro de 2024 e março de 2025, por bloqueios de vias e saques a estabelecimentos comerciais.

A empresa aponta igualmente que a “escassez das divisas” no país “afetaram significativamente a importação de combustíveis e outros produtos”, condicionando o transporte ferroviário e o manuseamento portuário de mercadorias.

No relatório destacam-se ainda 104 descarrilamentos ferroviários, dos quais 43 na região sul e 61 na região centro, que provocaram danos avaliados em cerca de 512 milhões de meticais (7,9 milhões de euros).

Apesar disso, as receitas de vendas e prestação de serviços cresceram 4,1%, para 21.387 milhões de meticais (331,4 milhões de euros), impulsionadas pelo transporte e manuseamento de mercadorias, principal fonte de receitas da empresa.

Os rendimentos financeiros aumentaram para 3.940 milhões de meticais (61 milhões de euros), face aos 2.916 milhões de meticais (45,2 milhões de euros) de 2024, beneficiando sobretudo do aumento dos dividendos recebidos, que passaram de 1.687 milhões de meticais (26,1 milhões de euros) para 2.725 milhões de meticais (42,2 milhões de euros).

Os ativos dos CFM ultrapassaram pela primeira vez os 100 mil milhões de meticais (1,55 mil milhões de euros), enquanto a tesouraria aumentou para quase sete mil milhões de meticais (108,4 milhões de euros).

Os CFM são uma empresa pública detida integralmente pelo Estado moçambicano e responsável pela gestão de parte significativa das infraestruturas ferroviárias e portuárias do país. A empresa explora diretamente as linhas férreas de Ressano Garcia, Limpopo e Goba, na região sul, o sistema ferroviário da Beira, na região centro, bem como os portos de Nacala, Pemba e Quelimane e diversos terminais especializados.

Paralelamente, a empresa opera num modelo que combina gestão direta e concessões atribuídas a operadores privados em vários sistemas ferroportuários, incluindo os corredores de Maputo, Beira e Nacala, mantendo ainda participações em diversas sociedades ligadas à atividade logística e portuária.

 

Fonte: Observador

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Reformas Práticas E Estados Capazes Contrariam A Estagnação Global Do Desenvolvimento

0
Questões-Chave O desenvolvimento mundial está a perder velocidade. Depois de décadas marcadas pela redução da pobreza, aumento da esperança de vida, expansão da escolarização e...
- Advertisment -spot_img