Por: Gentil Abel
A Escola de Jornalismo recebeu, nesta quinta-feira, 20 de Agosto, o jovem apresentador Ricardo, conhecido por Cardo, para uma aula interactiva sobre o podcast enquanto prática cultural contemporânea. A iniciativa esteve ligada à cadeira de Antropologia e reuniu estudantes dos cursos de Jornalismo, Relações Públicas e Marketing.
Durante o encontro, Cardo partilhou com os estudantes a experiência adquirida na produção do seu podcast, destacando a forma como conduz conversas com convidados de diferentes áreas e contextos sociais. Entre os momentos abordados esteve a conversa com o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, que marcou o episódio 100 do programa. Segundo Cardo, a ideia não era realizar uma entrevista tradicional, mas promover um encontro entre gerações.

“Era uma conversa intergeracional”, explicou, referindo-se ao objectivo de colocar frente a frente um jovem da actualidade e uma figura que marcou diferentes momentos da história recente de Moçambique.
Na conversa com Chissano, foram discutidos temas ligados à juventude, sobretudo as dificuldades de acesso ao emprego. Cardo destacou uma das ideias deixadas pelo antigo Presidente, segundo a qual os jovens devem procurar conhecimento através dos estudos para, posteriormente, aplicá-lo na sociedade, e não limitar a formação à procura de emprego.
No entanto, para o apresentador, a forma descontraída de conduzir as conversas é também uma das características que diferencia o podcast. Formado em Gestão Empresarial, Cardo afirmou que procura comunicar de maneira espontânea, sem tentar adoptar uma postura própria de quem possui formação em Jornalismo ou Comunicação. Assim sendo, a linguagem utilizada no programa procura aproximar-se da forma como muitos moçambicanos se expressam no quotidiano. Para Cardo, essa naturalidade permite criar um ambiente mais aberto e facilitar a relação com os convidados e com o público.
Outro aspecto destacado durante a aula foi a diversidade dos participantes do podcast. O programa já recebeu músicos, artistas, profissionais de diferentes áreas e figuras públicas, entre elas Joaquim Chissano.
Desta feita, Cardo considera que o principal elemento de diferenciação entre os episódios está nos próprios convidados. Apesar de manter a mesma postura, cada participante apresenta experiências e histórias diferentes, o que permite abordar assuntos distintos em cada conversa. O apresentador defendeu ainda que a preparação de cada episódio deve partir da curiosidade e da preocupação em perceber aquilo que o público gostaria de saber sobre determinada personalidade.
Por sua vez, o docente de Antropologia, Milton, explicou que a realização deste tipo de actividade pretende aproximar os conteúdos discutidos em sala de aula da realidade vivida pelos estudantes. Segundo o docente, a intenção é mostrar que a ciência não está limitada ao espaço académico e pode ser encontrada em diferentes dimensões da vida quotidiana. Para ele, áreas como Antropologia, Comunicação e Marketing acabam por cruzar-se em várias práticas desenvolvidas pelos jovens.

“A ideia é tirar a ciência do fórum científico, devolvê-la ao dia-a-dia e, do dia-a-dia, voltar à ciência”, explicou Milton, defendendo uma relação permanente entre conhecimento académico e experiências sociais.
Além disso, o docente considera importante valorizar as produções feitas pelos próprios jovens e aproximar diferentes públicos do conhecimento. A aposta, segundo explicou, passa também por construir referências a partir da realidade moçambicana. Nesse sentido, defende uma perspectiva decolonial, que permita recorrer a conhecimentos universais sem deixar de produzir e valorizar conhecimento ligado à realidade local.
Por fim, o podcast de Cardo estreou em Setembro de 2023 e tornou-se um dos projectos de conversas mais conhecidos em Moçambique. O programa aposta em diálogos informais com personalidades da música, cultura, comédia e sociedade civil, afastando-se do formato tradicional das entrevistas jornalísticas. O episódio 100, que teve Joaquim Chissano como convidado, marcou um dos momentos de maior destaque do projecto e serviu também para reforçar a aposta em conversas que aproximam diferentes gerações e experiências da sociedade moçambicana.







