Por: Gentil Abel
O Presidente da República, Daniel Chapo, revogou a nomeação de Waldemar Fernando de Sousa para governador do Banco de Moçambique, poucas horas depois de ter anunciado o economista para suceder Rogério Zandamela. A decisão surge após contestação à escolha e a divulgação, pelos meios de comunicação social, de informações sobre o seu alegado envolvimento no processo relacionado com as Dívidas Ocultas.
Inicialmente, Waldemar de Sousa tinha sido indicado para dirigir o banco central, enquanto Felisberto Dinis Navalha fora escolhido para ocupar o cargo de vice-governador. A tomada de posse do novo governador estava prevista para as primeiras horas desta quarta-feira, 2 de Setembro, numa cerimónia dirigida pelo Chefe do Estado.
Entretanto, a nomeação de Waldemar de Sousa começou a ser questionada depois de os meios de comunicação recuperarem informações sobre o seu nome no caso das Dívidas Ocultas. O economista foi mencionado no processo, facto que trouxe novamente para o debate público o seu passado ligado ao controverso caso financeiro.
Perante a contestação, a escolha passou a ser alvo de maior escrutínio. A situação mostrou também o papel dos meios de comunicação na fiscalização das decisões públicas, ao recuperarem informações que não estavam presentes no anúncio inicial da Presidência e que levantaram dúvidas sobre a escolha do novo responsável pelo banco central. Foi neste contexto que a Presidência da República emitiu um novo despacho, revogando as duas nomeações anteriores. No documento, Daniel Chapo justificou a decisão com “questões supervenientes”, sem, contudo, detalhar quais eram concretamente essas questões.
Na sequência do recuo, Felisberto Dinis Navalha, que inicialmente havia sido indicado para vice-governador, foi promovido ao cargo de governador do Banco de Moçambique. Para a posição de vice-governadora, o Presidente nomeou Benedita Maria Guimino.
A mudança ocorre numa altura em que a liderança do banco central assume particular importância para a condução da política monetária e financeira do país. Como governador, Navalha passa a presidir ao Conselho de Administração do Banco de Moçambique e a dirigir a instituição responsável pela política monetária nacional. Assim, em menos de 24 horas, a Presidência alterou completamente a composição da nova liderança do banco central. A decisão inicialmente anunciada para Waldemar de Sousa acabou revogada, num recuo que acontece depois de a sua escolha ter provocado contestação e de o seu nome voltar a ser associado, no espaço público, ao processo das Dívidas Ocultas.
A tomada de posse de Felisberto Navalha está prevista para esta quarta-feira, 2 de Setembro, às 7h30, no Gabinete da Presidência da República. A cerimónia de empossamento de Benedita Guimino como vice-governadora será realizada numa data ainda por anunciar.





