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Banco de Desenvolvimento de Moçambique deverá estar operacional até final de 2025 e assumir riscos financeiros em projectos estratégicos

O Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM) deverá estar operacional até ao final de 2025, posicionando-se como uma instituição financeira destinada a assumir riscos em projectos estratégicos de médio e longo prazo, considerados vitais para a dinamização e transformação estrutural da economia nacional.


A criação do BDM foi destacada ontem, em Maputo, durante uma sessão de auscultação pública à margem da FACIM 2025. O Coordenador de Reformas do Ministério da Economia e Finanças, João Macaringue, explicou que o objectivo é concluir o processo legal até Dezembro, com aprovação pelo Parlamento, de modo a permitir que 2026 marque o início da sua implementação.

Segundo o responsável, o BDM não será apenas mais uma instituição financeira, mas sim um banco com mandato específico para financiar projectos estruturantes ligados à industrialização, valorização de recursos nacionais e promoção de uma economia inclusiva. “Estamos a dar o kickoff do processo. O próximo passo será percorrer todas as províncias, recolher contributos, sistematizar e submeter o projecto ao Conselho de Ministros, para depois avançar para aprovação final no Parlamento”, afirmou Macaringue.

Titos Quive, do Ministério das Finanças, destacou que o BDM será orientado para assumir riscos que o sector financeiro tradicional não cobre, avaliando projectos de grande impacto económico e social. “Falamos de geração de emprego, aumento do bem-estar e dinamização da economia. São ganhos que não se traduzem num retorno imediato para quem financia, mas que têm efeito multiplicador para o país”, sublinhou.

O sector privado, representado por Lucas Chachine, da CTA, reforçou que o banco deve apoiar startups, pequenas empresas e jovens empreendedores, criando condições para o acesso a garantias flexíveis, capital de risco e apoio à transição digital. “Para que o país produza mais e importe menos, o banco precisa de apoiar empresas que necessitam de crédito acessível, prazos adequados e critérios técnicos de financiamento”, afirmou.

Inspirado em experiências de países vizinhos, como a África do Sul e a Namíbia, o modelo de governação do BDM procurará garantir independência, transparência e robustez, evitando interferências políticas. “Um país como o nosso não pode criar sozinho um banco desta dimensão. Precisamos agregar capitais de várias instituições de desenvolvimento e adaptá-los à realidade económica de Moçambique”, acrescentou Macaringue.
Especialistas sublinham que o BDM terá um papel crucial na mobilização de capitais de longo prazo para sectores prioritários, incluindo energia, transportes, habitação, agricultura e industrialização, permitindo que Moçambique avance do potencial teórico para resultados tangíveis em termos de crescimento e bem-estar dos cidadãos.

Fonte: O Económico

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